Cidadeverde.com

Ibope diz que WhatsApp não teve peso na campanha


Em meio à troca de acusações entre os candidatos que disputam o segundo turno da eleição deste ano, o Ibope divulgou pesquisa em que mede junto ao eleitor brasileiro o impacto de mensagens críticas e de ataque através das redes sociais, em especial do WhatsApp. Segundo apurou o Ibope, quase três quarto do eleitorado não recebeu esse tipo de mensagem e, no caso de quem recebeu, o impacto foi pequeno – ou pelo menos muito menor do que o que se alardeava.

A pesquisa (registro BR?07272/2018) foi realizada de domingo a terça-feira, portanto depois da polêmica matéria do jornal Folha de S. Paulo apontando indícios da ação de empresas para mobilizar o eleitor a favor de Bolsonaro, através de ações na internet. O resultado da pesquisa tira força das denúncias que apontam esse tipo de manipulação, por parte de ambos os candidatos. Diz mais: o impacto, mesmo limitado, é igual sobre o eleitorado tanto de Jair Bolsonaro (PSL) quando de Fernando Haddad (PT).

O Ibope perguntou se o eleitor tinha recebido alguma mensagem crítica ou de ataque a algum candidato, e quis saber especificamente sobre o recebimento desse tipo de conteúdo através do WhatsApp. O resultado surpreende: 73% disseram que nunca receberam esse tipo de mensagem. O número aponta para um alcance bastante menor do que o imaginado.

Curioso é que o alcance é igual entre quem vota em Bolsonaro e Haddad: 18%. Vale ainda notar que esse tipo de mensagem também traduz a polarização, já que nenhum outro candidato tem resultado significativo: 3% entre os votantes de Ciro Gomes (PDT) e 2% entre os de Marina (REDE). Outros candidatos registram apenas 1%.

E para quem acha que o eleitor consome tudo no automático, outra surpresa: 56% dos que receberam esse tipo de mensagem crítica ou de ataque verificaram se a informação era verdadeira. Os que não verificaram somam 43% – de qualquer forma, um número expressivo, quase metade daqueles 27% que receberam. A verificação parece ter efeito, já que 75% dos que receberam esse tipo de mensagem afirmaram que elas não ajudaram em nada na definição do voto. Outros 24% admitem que ajudaram, sim.

A pesquisa aponta para um caminho diverso da percepção que muitos tinham, colocando as redes sociais em uma patamar muito elevado. Era esse mesmo olhar que supervalorizava as fake News e a ação dos robôs na campanha. Ao que parece, o efeito não é exatamente o que se pensava.

Mas a discussão sobre o real papel das redes sociais nas campanhas brasileiras deste ano ainda vai produzir muitos estudos, inclusive muitos estudos conflitantes.