Cidadeverde.com

Eleição faz embate final entre duas ‘chapas triplex’


 

Os mais de 147 milhões de brasileiros aptos a votar terão que decidir neste domingo quem será o presidente do país a partir de janeiro. A votação neste segundo turno encerra uma campanha oficialmente curta, mas escancarada desde o final do ano passado. Também foi uma eleição cheia de momentos confusos, desde declarações desastradas até tentativa de assassinato, passando pela constituição de duas “chapas triplex”, novidade deste ano.

É entre essas "chapas triplex" que o brasileiro decidirá.

O termo “chapa triplex” surgiu como ironia pela decisão do PT de lançar Lula candidato a presidente e Fernando Haddad como vice, mantendo Manuela D’Ávila como uma espécie de vice do vice. Eram três em uma mesma chapa, apesar da legislação exigir dois. O recurso da “chapa triplex” – referência ao imóvel do Guarujá que rendeu a condenação de Lula – fazia parte da estratégia de manter o nome do ex-presidente colado ao de Haddad, o candidato real.

Já no caso de Jair Bolsonaro (PSL), a “chapa triplex” serviu para suprir uma determinada deficiência e um aceno estratégico. A chapa oficial se fez com Bolsonaro e um vice, o general Mourão (PRTB). Mas sempre esteve por perto o economista Paulo Guedes, o guru escalado por Bolsonaro para falar do assunto. Mais que simplesmente dar pitacos e oferecer conteúdo ao candidato à presidência, servia de plataforma política.

Guedes tornou-se em algo mais que o formulador de propostas para a área econômica. Ele se tornou avalista de Bolsonaro junto ao mercado. Ganhou um lugar de destaque e, de certa forma, é visto como “o governo” para a área econômica, caso o candidato do PSL vença. Claramente, tornou-se parte da chapa – mais uma chapa triplex.
 

Duas chapas ideologicamente estreitas

As duas chapas que chegam ao round final na luta pela Presidência começaram estreitas, sem conseguir grandes apoios e ambas nos extremos da escala ideológica. A do PT – um partido que faz o caminho de volta para a esquerda – juntou a Fernando Haddad a gaúcha Manuela D’Ávila, do PCdoB. Já Bolsonaro juntou seu PSL ao PRTB do General Mourão.

Terminaram indo para o segundo turno, o que aproxima esta disputa da eleição de 1989, com a polarização pelos extremos. É verdade que o PT recuou muito em votação, praticamente repetindo a performance de 1994. Já Bolsonaro se apropriou de votos mais ao centro, em boa medida pela migração de ex-eleitores do PSDB – e, é bom lembrar, pela presença de um “homem de mercado” na chapa triplex.

Bolsonaro chega neste domingo como favorito. Mas é bom ficar na expectativa: vai que se repete o vendaval do primeiro turno, só que com sinal trocado...

VEJA TAMBÉM:
PT tenta 'grande transição', agora para a esquerda 
Votação do PT volta ao patamar de 1994