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Eleição foi sonoro não à ‘velha política’


Jair Bolsonaro com a esposa, Michele: desafio de agir dentro das exigências populares de uma nova política

 

A leitura predominante sobre a eleição de Jair Bolsonatro (PSD) é que ela marca uma mudança de ciclo na política brasileira. Isso porque ela deve ser lida como um grito contra a “velha política”. Bolsonaro se elegeu quase sem estrutura partidária e com uma rede de militantes que se desdobraram Brasil afora em eventos nada virtuais e manifestações na internet.

Não foi só: junto com Bolsonaro, a eleição em primeiro turno carregou um montão de novidades, desde Major Olímpio, eleito Senador, até Janaína Paschoal, que amealhou mais de 2 milhões de votos como candidata a deputada estadual.

A disputa pelas vagas no Senado deixou mais evidente o vendaval de votos contra os velhos caciques. A maioria dos senadores que tentaram voltar ao cargo foi derrotada pelo voto descontente, incluindo estrelas da velha política como Romero Jucá, Cássio Cunha Lima, Edson Lobão, Lindberg Farias e Eunício Oliveira. Também tragou outras estrelas sem mandato federal, como Dilma Rousseff e Eduardo Suplicy.

Alguém pode lembrar que muitos estados do Nordeste viram as estrelas de sempre reconquistarem mandatos. É verdade. Ainda assim, não dá para esconder os sinais da mudança:

• BRASIL: A eleição de Jair Bolsonaro (PDL) foi um contundente grito antissistema. Muitos votaram no candidato do PSL para pedir uma mudança radical de nomes e métodos.
• Distrito Federal: o governador eleito, Ibaneis Rocha (MDB) disputou sua primeira eleição. Apresentou-se como não-político e propondo fazer gestão totalmente técnica.
• Minas Gerais: Romeu Zema (NOVO) apresentou-se propondo uma nova poítica. Para começo de conversa, seu partido rejeitou o dinheiro (público) do Fundo Eleitoral. 
• Rio de Janeiro: Wilson Witzel (PSC), um ex-juiz, apareceu claramente como um outsider e cresceu precisamente por esse perfil.
• Santa Catarina: Comandante Moisés (PSL), um bombeiro que disputava sua primeira eleição, foi carregado pelos votos contra a velha política.
 

Resultado deixa ‘fatura’ para os vencedores

O resultado da eleição de ontem é uma paulada na velha política, sim. Mas ela deixa uma fatura que os eleitos também devem cuidar de pagar: não podem assumir os cargos e simplesmente repetir tudo o que era feito antes. A mudança não é apenas de nome: a cidadania pede novos métodos e, mais ainda, novos resultados.

Os resultados são mais difíceis que a mudança de método. Mas essa mudança no jeito de fazer política será a parte mais visível no prazo imediato. O eleitor quer diálogo, transparência e objetividade. Não aceita mais governos distantes, "profissionais" e ilhados. Querem gente governando, gente que sente as agruras do outro. Não é uma tarefa fácil, sobretudo porque em seguida vêm as cobranças de resultados. E se os resultados não aparecem, o novo logo passa a ser visto como velho, com a devida rejeição da cidadania.

Não é um desafio pequeno para o novo tipo de política.