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Bolsonaro depende do Congresso para cumprir promessas


Congresso Nacional: novo governo precisará de maioria qualificada para concretizar as reformas prometidas na campanha

 

Os porta-vozes do futuro governo Bolsonaro já deixaram claro quais são as prioridades imediatas da gestão que começa em janeiro. Segundo Paulo Guedes (futuro ministro da Economia), o foco será na contenção de gastos, o que começa pela reforma da Previdência, passa pela redução das despesas de juro e desemboca no redesenho do Estado, visando redução de gastos e desperdícios. O único senão é que o grosso dessas mudanças precisa passar pelo Congresso. E, lá, Jair Bolsonaro ainda não tem maioria.

Para implementar suas propostas de campanha, Bolsonaro terá que negociar com as duas Casas, Câmara e Senado. Isso porque mudanças como o sistema previdenciário exigem maioria qualificada, e duas vezes em cada Casa Legislativa. No caso da reforma da Previdência, seriam necessários três quintos (60%) dos votos, o que significaria o apoio de pelo menos 308 dos 513 deputados e 49 dos 81 senadores.

O presidente recém-eleito ainda está longe de conseguir essa marca. Na verdade, o que há de mais consistente até agora são os quase 150 votos contrários e um mundo de indecisos esperando aceno do futuro governo. Os oposicionistas são PT (56 deputados), PSB (32), PDT (28), PSOL (10), PCdoB (9), PROS (8), PV (4) e Rede (1 deputado). Apoio incondicional ele tem por enquanto dos 52 deputados do PSL, número que deve chegar aos 70 sem muito problemas após a migração de eleitos por partidos que não alcançaram a cláusula de barreira.

Mas Bolsonaro deve contar com o PTB (10 deputados) e o PSC (8), além do grupo de todos os governos – o Centrão. Esse grupo é  formado por PP (37 deputados), PSD (34), PR (33), PRB (30), DEM (29) e Solidariedade (13). Os analistas apontam para MDB (34 deputados), PSDB (29) e PPS (8 deputados) como o fiel da balança política.

Qualquer que seja a conta do novo governo, para fazer as mudanças pretendidas terá que conversar com o Congresso. Sob pena de não mudar muito.
 

Ciro Nogueira admite PP com o governo

Em entrevista à TV Cidade Verde, Ciro Nogueira reconheceu que uma parte do Progressista já esteve com Bolsonaro no segundo turno. Não é o caso do senador piauiense. Mas ele deixou evidente que uma aliança com o novo governo não seria nada traumática. Reconhece que há muitas afinidades entre o que prega Bolsonaro e o que reza o programa do partido.

Mas Ciro também reconhece que o governo ainda não deu sinais claros do que realmente pretende, em termos de detalhamento de propostas e relacionamentos políticos. Por via das dúvidas, vai esperar, avisando que o PP “nunca ficará contra os interesses do Brasil”.

Traduzindo: se Bolsonaro chamar, o PP está de malas prontas.