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‘Carta’ de Ciro cria desafios para Wellington


Ciro Nogueira e Wellington Dias: aliados desde 2013, os dois podem divergir agora sobre a redefinição da estrutura do Estado

 

Quando Wellington Dias vivia momentos de isolamento dentro da política local, em meados de 2013, uma mão se estendeu e ali se firmou uma aliança que viria a vencer as eleições de 2014. Também quando Wellington viu as dificuldades se avolumarem com a crise, no início de 2015, outra vez a mão se estendeu e desdobrou-se em Brasília, sobretudo depois da posse de Michel Temer, para que o Piauí recebesse recursos extras. Agora, a mesma mão que deu fôlego cria novos desafios para o governador.

Essa mão é a do senador Ciro Nogueira, o presidente nacional do Progressistas (PP) que se tornou um dos homens mais influentes da República. A Carta do Progressistas, que leva a assinatura de Ciro – entregue ontem ao governador Wellington Dias – não chega a ser um enfrentamento, tampouco coloca o governo estadual contra a parede. Mas, ao sugerir medidas para a próxima gestão, estabelece desafios, como se fossem metas. Vai ser a régua a medir o governo.

A primeira medição deve acontece ainda antes de janeiro, quando Wellington pretende redefinir a estrutura de sua administração, hoje – segundo o próprio documento do PP – com mais de 60 unidades gestoras. Ainda que o governador diga que os gastos com cargos comissionados representem apenas 1,5% do total de despesas, o PP insiste nessa mudança. Defende um Estado menor, bem menor.

Quando anunciar o secretariado que assume em janeiro, já deve fazê-lo dentro de uma nova estrutura. Será o primeiro momento de comparação entre o que o governador fará e o que o PP, seu principal parceiro, sugere. Situação como essa, no mínimo, gera alguns embaraços
 

Wellington pode mudar estilo vitorioso?

Wellington chegou à quarta vitória na disputa pelo governo do Estado com um estilo: raramente evita confronto, pelo menos confrontos que ele mesmo assuma. Em geral, “cisca pra dentro”, como se diz na política para identificar o político que agrega. Agrega pelo jeito. E agrega pelo modo como conduz o Estado.

Uma das regras de Wellington é deixar nas mãos do gestor que assume cada órgão – seja ele de qual partido for – cuidar de tudo na repartição. É a chamada “porteira fechada”, sonho de consumo de qualquer aliado. Os críticos dizem que isso funciona como um governo paralelo. Mas tem dado certo: os aliados festejam. Segundo as mudanças sugeridas pelo PP, essa ideia de “porteira fechada” seria afetada, sobretudo quando propõe que se concentrem as obras e um ou outro órgão.

Resta saber até onde Wellington está disposto a mudar o estilo vitorioso.

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'Carta do Progressistas' é esboço do Plano de Governo de Ciro