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PSOL e Jesus se preparam para oposição em dose dupla


Jesus Rodrigues: com críticas ao PT e a Bolsonaro, promete oposição do PSOL aos governos no Piauí e em Brasília

 

Jesus Rodrigues tem uma história no PT, com uma longa vida de militância, além da participação nos dois primeiros governos de Wellington Dias e um mandato de deputado federal. Mas tem uma consistente posição de crítica ao partido, de quem cobra a autocrítica nunca feita. Agora Jesus Rodrigues, há um bom tempo instalado no PSOL, se prepara para dupla oposição: a Wellington e a Bolsonaro.

O PSOL é uma costela do PT, uma costela que gera um fruto tal e qual Eva, que não se permitiu igual. Ao contrário, é a voz da esquerda de mais constante crítica ao PT, partido que teria se tornado igual aos que antes combatia. As divergências são muitas, mesmo assim Jesus Rodrigues pediu voto para Haddad – mais contra Jair Bolsonaro (PSL) que a favor do petista.

Como as divergências estão presentes em relação a ambos, Jesus Rodrigues diz que está pronto para fazer oposição a Wellington Dias (PT), no plano local, e a Bolsonaro, no plano federal. Não contesta a vitória do ex-capitão, conforme disse em carta pública. Para ele, o amplo apoio popular é inequívoco.

Mas isso amplia o peso sobre o novo presidente. “Fiel depositário das esperanças de mudanças, Jair Bolsonaro carrega a responsabilidade igual à de Lula em 2002, que foi decepcionando aos poucos, acomodando e ficando igual aos que ele combatia”, afirma. Também como o primeiro Lula, acha que o novo presidente terá muita força, quase uma carta branca.

“Com a força política que emerge das urnas, com o amplo apoio que terá no Congresso Nacional, Jair Bolsonaro poderá fazer praticamente o que quiser. Assim como Lula, espero que ele entre num processo também de ir decepcionando rapidamente os mais raivosos da extrema direita”, diz ele. Jesus  Rodrigues cola tal decepção à esperança particular de estar equivocado: “Como todos os seus eleitores estão cheios de esperanças, eu também tenho esperanças de ser profundamente decepcionado na expectativa que tenho de que será um governo de retrocessos”.

Ante expectativas que se dividem entre desencanto e esperança, Jesus diz que está pronto para ser o que as urnas determinaram: oposição aqui e em Brasília.
 

Bolsonaro e o saudosismo da militância

Há algo na campanha de Jair Bolsonaro que enche os olhos de Jesus Rodrigues. Enche principalmente de saudade. “Parabenizo a todos os seus eleitores pela forma como fizeram a campanha voluntária, apaixonada e às vezes até fanaticamente”, disse na carta pública que assinou após o segundo turno. Apressa-se em dizer que “não é possível estender parabéns a quem se diz favorável à tortura”.

O saudosismo está ligado ao legado que no entendimento do PSOL em geral, o PT abandonou: a militância. O partido teria se afastado das ruas e transformado a militância em uma militância formal, ligada à máquina de poder. Essa crítica mais direta não está na carta, mas tem sido repetida por Jesus Rodrigues nas entrevistas.

Certamente, quando olha para o passado, sente falta daquela antiga militância aguerrida que o PT tinha. Daí o saudosismo, diante do que Bolsonaro conseguiu nesta campanha.