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PDT de Ciro dá o tom da oposição a PT e Bolsonaro


Ciro Gomes: distanciamento do PT e de Bolsonaro para ganhar luz sobre o caminho que pretende pavimentar para o Planalto

 

O PDT tem um encontro hoje, em Brasília, que deve definir o rumo do partido e, principalmente, o tom do discurso de oposição que fará. A reunião gera expectativas pelo duplo distanciamento que a sigla adotará: primeiro, em relação ao governo Jair Bolsonaro (PSL); segundo, em relação ao PT, que se movimentou no sentido de capitanear o que chamou de "frente das oposições".

A oposição a Bolsonaro é considerada natural, especialmente pelas manifestações de Ciro Gomes enquanto candidato à presidência. Desde o ano passado, Ciro vinha fazendo duras cfíticas ao agora presidente eleito, usando termos de qualificação pessoal que não permitem um recuo para a condição de aliado. Ser contra o próximo governo, portanto, é o caminho natural.

O encontro de hoje – que contará com a presença de Ciro e de todos os eleitos pela sigla para o congresso – vai apenas definir o quanto de tolerância o PDT pretende dar ao futuro presidente. Não deve ser muito tempo e as críticas devem aparecer hoje mesmo sobre as manifestações iniciais de Bolsonaro, inclusive com duros ataques à indicação de Sérgio Moro para o Ministério da Justiça.

Mas se a oposição a Bolsonaro é natural, não se esperava – pelo menos até o início do segundo turno – uma postura tão crítica do PDT em relação ao PT. As manifestações de Cid Gomes, sobre os erros do PT, e a decisão de Ciro de não apoiar nem Bolsonaro nem Haddad na votação do dia 28 geraram uma certa surpresa.

Mas isso também tem explicação: o PDT já olha para 2022, quando pretende ver Ciro outra vez candidato à Presidência da República.
 

Ciro quer ser o anti-Bolsonaro

Uma das explicações para o sucesso de Jair Bolsonaro nas eleições deste ano é o fato dele ter assumido, há muito, a condição de anti-PT. Com isso, conseguiu ser ainda o anti-política, contrapondo-se também as outras forças, com o o MDB e o PSDB. Já olhando para 2022, o PDT não quer entregar de mão beijada a condição de anti-Bolsonaro para o PT.

Assim, a decisão de Ciro de não apoiar nem Haddad nem Bolsonado no segundo turno foi uma forma de dizer que tem uma raia própria. Mais que isso: ao ter uma raia próprias, não se deixa ofuscar pelo PT, que com mais do dobro de representantes no Congresso, tentou criar a “frente das oposições”. Se essas frente se estabelecesse, a parte visível seria o PT – e os demais integrantes seriam meros coadjuvantes.

Ciro pensa mais adiante. E para sonhar de novo com o Planalto, precisa de luz própria. Daí o distanciamento simultâneo de Bolsonaro e do PT.