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PSDB se reúne dia 22. Começa disputa pelo comando do partido


Joãp Doria; governador de São Paulo deve assumir comando do PSDB com disposição de levar sigla para posições mais à direita

 

O PSDB nacional realiza reunião no próximo dia 22 que vai procurar definir os novos rumos do partido. Também deve ser o primeiro round de uma disputa interna que vai dizer quem é o mandachuva na sigla, o que também dirá qual o posicionamento em relação ao governo Jair Bolsonaro.

O embate vai colocar de um lado o governador eleito de São Paulo, João Dória Jr, e a velha guarda do partido, à frente nomes como José Serra, Fernando Henrique, Alberto Goldman e Geraldo Alckmin. A tendência é que Dória passe a ser referência do partido, já que a partir de janeiro estará no comando da segunda maior máquina pública do país, atrás apenas da Presidência da República. Mas a passagem de bastão não promete ser pacífica.

A velha guarda do partido não deseja ver o partido descaracterizado em suas teses principais, sobretudo a ideia de uma sigla inspirada no Estado do Bem-Estar tão caro à socialdemocracia européia. Se seguir as diretrizes desejadas por Dória, o PSDB deve esquecer de vez o viés socialdemocrata e assumir uma posição mais à direita, pautada pelo mercado, com novo estilo – mais personalista e menos programático – e próximo ao governo Bolsonaro.

Os dois grupos devem travar uma guerra interna para a redefinição programática do PSDB, incluindo uma mudança nos estatutos. A velha guarda até reconhece que Doria deve comandar a sigla, mas sem abandonar os princípios de sempre. Nesse embate, quem pode aparecer como conciliador é o senador Tasso Jereissati: ele tem mais sintonia com a velha guarda, é crítico do governo Temer e mantém distâncias em relação a Bolsonaro.

Mas tem uma visão menos de centro-esquerda que permite que seja o interlocutor entre a velha guarda “cabeça branca” progressistas e os jovens “cabeça preta”, mais conservadores.
 

Partido precisa de novo estilo

Cresce uma certeza dentro do PSDB: o partido precisa rever alguns pontos programáticos, ajustando-se às demandas nos novos tempos. Mas a crença mais sólida é que, antes de qualquer coisa, os tucanos precisam mudar de estilo. Em outras palavras: o partido não pode se aferrar à linguagem técnica fria e distante, sem conexão com uma dinâmica comunicacional completamente distinta.

O entendimento cada vez mais distendido é que a ideia de um partido de viés técnico pode ser até bom para governar, mas não encanta a cidadania – e esse é um critério fundamental, já que não se ganha eleição sem engajamento. A avaliação é que o partido não teve a capacidade de se conectar com a cidadania, isso bem antes do início da campanha.

Apostou em velhas fórmulas. E se deu mal.