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Políticos mandam recado para Bolsonaro: vai ser dureza


Eunício Oliveira: presidente do Senado agendou a primeira pauta-bompa e o reajuste dos salários no Supremo explodiu no colo de Bolsonaro

 

A primeira pauta-bomba explodiu: o Senado aprovou o reajuste de 16% sobre os salários dos ministros do Supremo Tribunal. Com isso, o vencimento de um ministro sai dos atuais R$ 33,7 mil para R$ 39,2 mil. O reajuste foi um claro recado do mundo político para o futuro presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), que é quem vai ficar encarregado de pagar a conta.

O aumento era tudo o que Bolsonaro não queria, já que tem efeito cascata: como o salário dos ministros do Supremo funcionam como indexador dos salários do setor público, o impacto nas contas do governo federal será de R$ 4 bilhões. Ontem pela manhã Bolsonaro ainda fez um apelo, dizendo que não era hora de aprovar tal aumento. Os senadores foram lá e aprovaram.

Deixaram claro que não vai ser fácil a convivência com o Congresso. A votação, que o derrotado Eunício Oliveira, que preside o Congresso, colocou na pauta por surpresa, é uma forma dos políticos dizerem: “se quiser paz, tem que passar pelo pedágio”. E que pedágio!! O problema é que tem questão ainda mais complexa e com efeito maior que os R$ 4 bi do efeito cascata do aumento para o Supremo.

Bolsonaro tem tarefas urgentes a fazer. A maior parte depende do Congresso, como a reforma da Previdência. Na terça-feira, o presidente eleito disse que gostaria de ver a reforma da Previdência dar pelo menos o passo da aprovação na Câmara ainda este ano. Depois da votação no Senado, deve estar reelaborando essa ideia. O Congresso, com pelo menos metade de derrotados como Eunício Oliveira, não está nem aí: se Bolsonaro quiser algo, tem que pagar o pedágio.

O pedágio – de fato, nacos dos recursos públicos – não estava na conta do presidente eleito, cujos assessores – a exemplo de Paulo Guedes – lembravam o respaldo popular conseguido nas urnas. Mais uma vez os congressistas não estão nem aí. E se quiser a reforma fiscal e o novo estatuto das armas, por exemplo, o novo governo vai ter que "comparecer".

Como Bolsonaro diz que não vai cair nessa, é esperar para ver onde vai dar essa queda de braço.
 

Pauta de Moro não agrada políticos

Há temas fundamentais para o próximo governo da União que podem produzir reações ainda mais hostis entre os congressistas. Um exemplo é a agenda contra a corrupção e o crime organizado, apresentada pelo ministro Sérgio Moro. No caso do combate à rapinagem do dinheiro público, há a ideia de resgatar as 10 propostas contra a corrupção, elaborada pelo Ministério público.

Tal ideia dá arrepios na grande maioria dos políticos. Tentativa anterior resultou na completa desfiguração das propostas e até a troca de sinal de algumas: ao invés de combater os corruptos, terminava protegendo-os. Apesar da renovação no Legislativo, a maior parte é mudança tipo “seis por meia dúzia”, já que políticos de carteirinha, só que ainda não estavam no Congresso.

Se o aumento dos salários do Supremo foi um aviso, Bolsonaro e Moro devem colocar as barbas de molho.