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Saneamento pode gerar até R$ 1,1 trilhão em 20 anos


Obra de saneamento: investimento pode gerar saúde e dinheiro para as comunidades  (FOTO: Funasa/Divulgação)
 

No mundo da gestão pública, as décadas viam uma frase ser repetida: “Esgoto não dá voto. Fica escondido, ninguém vê”. A frase recebe críticas também há muito, mas nunca pareceu tão fora de modo e de lógica. Esse ar ultrapassado ganha mais força com a pesquisa divulgada agora pelo Instituto Trata Brasil, que dedica especial atenção à questão do saneamento e gestão das águas. Segundo o Trata, o que se investe em saneamento pode produzir dinheiro em valor até três vezes maior que o valor investido.

Esse dado vai muito além do cálculo conhecido, segundo o qual cada Real investido em saneamento gera economia de 4 Reais na área de saúde. O dado do Trata Brasil mostra que esse tipo de investimento não apenas evita gastos como também produz dinheiro. A pesquisa do instituto aponta que o Brasil poderia universalizar o saneamento básico investindo R$ 395 bilhões, ao longo de 20 anos. No mesmo período, seria gerado R$ 1,1 trilhão.

É uma outra ótica para a questão do saneamento: impuslionador da economia. Investir no setor gera emprego já no momento em que as obras são realiozadas. Mas seguiria produzindo novos negócios na sequência. Um exemplo a ser dado é um velho projeto do Piauí, que teima em não se concretizar totalmente: a adutora do litoral.

Investimento desse tipo cria as condições para novos negócios, como hotéis e restaurantes, ou lançamentos imobiliários de luxo, inviabilizados sem a rede de esgoto. Além disso, saneamento aumenta a produtividade: segundo o Trata Brasil, as pessoas se afastam do trabalho 3,3 dias em média em razão de problemas de saúde. Assim, não ter saneamento significa menos rendimento nas empresas.

Traduzindo: há muito se sabe que saneamento gera saúde. Agora também se descobre que gera dinheito, muito dinheiro. E se os gestores pensarem bem, pode render até voto. Muito voto.