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‘Frente Cívica’ deixa de lado temas como ‘Lula Livre’


Gleisi Hoffmann: presidente do PT admite "Lula Livre" fora da pauta de uma "Frente Cívica" de oposição ao Governo Bolsonaro

 

A tentativa de formar uma grande frente oposicionista capaz de mostrar força ante o governo Bolsonaro está levando setores da esquerda a criar o que está sendo chamado de “Frente Cívica”. Esse grupo pretende reunir muito mais que partidos partidos políticos e tem a pretensão de ir além das fronteiras da esquerda, atraindo nomes mesmo de partidos de centro e até de centro-direita. Para isso, temas que podem dividir a Frente simplesmente são deixados de lado, entre eles a bandeira do “Lula Livre”.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, a própria presidente do PT, Gleisi Hoffmann, reconheceu que a Frente Cívica é diferente da Frente Brasil Popular, capitaneada pelo PT. “O 'Lula livre' está na pauta do PT e da Frente Brasil Popular, mas obviamente que pode haver quem não ache que é prioritário”, diz Gleisi. “Nós não temos nenhuma pretensão de hegemonizar nada”, afirmou. 

A Frente Cívica busca ampliar o leque de participantes. Daí, além de deixar de lado o “Lula Livre”, também deve esquivar-se de temas polêmicos como reformas econômicas, incluindo os detalhes da reforma da Previdência. Os pontos de convergência serão o próprio Governo Bolsonaro, além de temas comportamentais, de cidadania e direitos humanos. Em geral, são temas que geram o confronto com o próprio Bolsonaro.

O leque de temas comuns deve incluir a discussão sobre a escola sem partido, liberdade de imprensa, Lei Rouanet, ameaças à atuação política da oposição, e direitos de minorias LGBT, negros e mulheres. Também deve entrar na pauta comum a questão ambiental, campo que não deve ser considerado prioritário na gestão Bolsonaro.

As articulações tentam encontrar uma área de interseção que acomode gente com pensamentos tão diferentes.
 

Difícil busca por um discurso comum

O esforço para dar corpo à Frente Cívica reúne pelo menos três movimentos, que se articulam cada um para seu lado. O objetivo é encontrar os pontos comuns – ou um discurso de forte apelo popular que, ao mesmo tempo, agregue todos. Não é fácil. Um dos movimentos tem CUT, CBS, MST e UNE, além de políticos do PT, PCdoB e PSOL.  Outro movimento inclui advogados e produtores culturais.

O terceiro grupo tem um viés mais partidário e parlamentar, unindo no Congresso PCdoB, PDT, Rede e PSB. Esse time tem ainda desgarrados de siglas como PSDB, MDB e até DEM. Um que está muito próximo do núcleo dessa discussão é Alberto Goldman, ex-governador de São Paulo e membro da executiva nacional do PSDB. Difícil é encontrar, além do próprio Bolsonaro, um discurso que una o MST e egressos do PSDB e do DEM.