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Onyx também perde o tom e novo governo preocupa


Onyx Lorenzoni: futuro ministro eleva o tom e diz que Noruega deve aprender com o Brasil  (FOTO: Câmara/Divulgação)

 

O assunto era a questão ambiental e um repórter teve o “atrevimento” de perguntar sobre manifestações de preocupação da Noruega a respeito das ações do Brasil para preservar a Amazônia. Vale lembrar, a Noruega é o país que mais destina dólares para o Brasil, vinculado a esse esforço de preservação. Mas o futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, subiu o tom: disse que o país europeu não tem condições de criticar porque não preservou suas florestas. E disse mais: se alguém tem que aprender com alguém, é a Noruega que deve aprender com o Brasil.

Com a resposta, Lorenzoni teria saído de tom fosse qual fosse o tema da entrevista. E saiu ainda mais tendo em conta que cria uma animosidade com um país que é referência em diversos setores, inclusive nos baixíssimos índices de corrupção. O grave é que não é o primeiro finca-pé com uma nação amiga. O próprio presidente eleito, Jair Bolsonaro, já andou preocupando os chineses, logo os chineses, que compraram 47% de nossos produtos básicos, contra 12% dos Estados Unidos. Bolsonaro também criou rusgas com meio mundo árabe. Para completar, o futuro ministro Paulo Guedes (Economia) deixou o Mercosul de cabelo em pé ao dizer que o bloco não é prioridade.

É a diplomacia do grito e do supapo.

Festa, mesmo, até agora o novo governo fez apenas para quem tem dado pouca importância ao Brasil, como os Estados Unidos, que reduzem a cada ano as compras de produtos de brasileiros. Ou Israel, que é quase traço em matéria de consumo de produtos “made in Brazil”.

As manifestações apontam para uma nova relação diplomática e comercial, que preocupa pelo estilo nada diplomático e por imprecisões quanto aos objetivos reais. Pode até produzir resultados diferentes e positivos, como aconteceu com Ernesto Geisel (1974-79) e sua política de “não-alinhamento”. Ao adotar essa diretriz, Geisel deixou de lado as pressões norte-americanas e olhou para parceiros como os árabes e os chineses.

Bolsonaro faz o inverso, alarmando alguns analistas que encontram nesses países desdenhados como a base de nosso comércio externo e fundamentais para a retomada econômica. Mas como os tempos são outros, pode ser que dê certo.
 

Problemas no diálogo político

Uma coisa é certa: a eleição de Bolsonaro não é resultado da velha política. É fruto de um novo estilo onde o cidadão toma um rumo, abraça uma causa e “segue o rumo da venta”, como se diz no interior. O presidente eleito vai levando um novo estilo também para os primeiros movimentos da fase de pós-campanha. Por exemplo: não dialoga com partidos, privilegiando bancadas temáticas. Também não conversa com dirigentes de instituições políticas, com os presidente do Senado e da Câmara.

É verdade que Eunício Oliveira, o presidente do Senado, "caçou conversa" ao destravar pautas bombas, em especial o reajuste para os ministros do STF. Mas a reclamação também vem de Rodrigo Maia, presidente da Câmara e que tende a estar próximo do futuro governo. Bolsonaro chegou a desmarcar audiência que teria com Eunício e Rodrigo, mas diz que é porque conversa com eles o tempo todo, por telefone.

O ar emburrado do deputado e do senador parece que traduz descontentamento: querem conversa olho no olho.