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Nordeste vira as costas para Bolsonaro. Bom para Wellington


Com Bolsonaro, Wellington entrega Carta em nome do Nordeste  (FOTO: CCom/Divulgação

 

Era para ser uma reunião com os governadores eleitos em outubro. Mas no encontro com o futuro presidente Jair Bolsonaro (PSL) estavam lá apenas 19. Os oito ausentes eram todos do Nordeste. O único representante da região, que representou os demais, foi Wellington Dias (PT), o governador do Piauí. Na prática, o Nordeste virou as costas para Bolsonaro.

O gesto pode não ter sido um grande negócio para os governadores nordestinos. Melhor para Wellington Dias, que lá esteve e conseguiu ganhar importante destaque como interlocutor de uma região inteira. Mais que isso, lançou pontes – enquanto seus pares da região as queimaram. Isso pode fazer muita diferença no futuro.

Vale lembrar, Bolsonaro perdeu no segundo turno apenas no Pará e nos nove estados nordestinos. E esse Nordeste quis dizer que continua contra. A desculpa para a ausência é que os eleitos tinham compromissos aqui ou no exterior. Desculpa, haja vista que nenhum outro governador tinha compromisso - ou, se tinha, cancelou. Não havia compromisso maior que tentar mostrar ao novo presidente o que pensa e o que deseja a região. Isso é pensar no estado e no povo que o habita. Mas prevaleceu a posição política.

Wellington foi escalado para falar em nome dos ausentes e entregar uma Carta em nomes de todos os governadores da região. Melhor para o governador do Piauí, que saiu da reunião destacando precisamente a disposição do presidente eleito de tratar cada estado sem olhar o partido do governante. Mas Wellington marca um ponto e tanto: passa a ser o natural interlocutor do Nordeste junto ao governo federal.

E isso abre portas e cria oportunidade para o Piauí.
 

Resumo da Carta: ‘Me dá um dinheiro aí’

Wellington Dias levou uma Carta ao presidente Jair Bolsonaro, em nome dos governadores nordestinos. São várias demandas. Pede integração e co-financiamento para o combate à violência. Defende uma reforma da Previdência que não prejudique os pobres. Também pede ajuste fiscal como caminho necessário para a retomada do desenvolvimento. E pede obras. Em resumo, pede dinheiro.

E pede dinheiro de várias formas, seja com o co-financiamento das forças de segurança nos estados até a destinação para o Nordeste de 28% dos investimentos em ciência e tecnologia – hoje concentrado no Sudeste e particularmente em São Paulo. A Carta pede ainda a facilitação de empréstimos para que os estados possam realizar seus próprios projetos. Além disso, pede obras, seja retomando projetos como a Transnordestina ou injetando dinheiro na construção civil.

Os governadores do Nordeste querem um gás para sair do sufoco da crise que já dura quase cinco anos.