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Eleição na Câmara e Assembleia delimita ‘agenda de governo’


Rodrigo Maia: mais sete adversários pelo estratégico cargo de presidente da Câmara dos Deputados   (FOTO: Câmara/Divulgação)

 

Duas eleições marcadas para o dia primeiro de fevereiro estão movimentando o mundo político. No plano federal, a eleição que se destaca é do presidente da Câmara. No plano local, é a disputa pela presidência da Assembleia que movimenta os bastidores. A razão de tanto rebuliço é uma só: quem estiver na cadeira principal dessas casas legislativas terá um enorme poder sobre a agenda do próximo governo. Portanto, tem muita possibilidade de criar ou solucionar problemas.

No cenário local, a disputa ficou aberta já no dia seguinte ao primeiro turno. No plano federal, a movimentação teve que esperar o resultado do segundo turno. Mas tão logo Jair Bolsonaro (PSL-RJ) foi confirmado presidente eleito, o atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) se colocou como pretendente a ficar onde está.

Inicialmente o entorno de Bosonaro deu indicações de que poderia apoiar a reeleição de Maia. Mas o cenário mudou substancialmente na última semana. Agora já são oito concorrentes, dois deles vindos do próprio partido do presidente eleito: Delegado Waldir (PSL-GO) e JHC (PSL-AL). O MDB também aparece com dois postulantes, assim como o PR. A lista se completa com um concorrente do PRB, além de Rodrigo Maia.

Isso não quer dizer que Maia esteja fora da disputa ou ao menos enfraquecido. Não. Mas significa dizer que terá que buscar o apoio dos aliados do governo, o que deve passar pela discussão de uma agenda de interesse comum. Bolsonaro tem temas cruciais e polêmicos na agenda, como a reforma da Previdência, a maioridade penal e a flebilização sobre o porte de armas. Há ainda as reformas fiscal e política, quase tão complicadas quanto a da Previdência.

Ter aliados na presidência da Câmara e do Senado pode ajudar muito, em especial na Câmara, onde a fragmentação política costuma criar mais problemas para a aprovação de propostas espinhosas. Daí, até 1º de fevereiro, o governo Bolsonaro esperar construir uma alternativa segura para a aprovação dos seus temas de agenda.

Esse nome pode ser inclusive Rodrigo Maia. Ou não.
 

Themístocles Filho ganha fôlego

No cenário local, a disputa pela presidência da Assembleia foi colocada na mesa no dia seguinte à eleição de primeiro turno, através do presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira. Ciro deixou claro o desejo de mudança – uma clara manifestação anti-Themístocles Filho, o atual presidente da Casa. Também fez mais, semanas depois: apresentou uma Carta ao governador Wellington Dias que causou desconforto entre os petistas. E isso mexeu com alguns sentimentos na Assembleia.

Até então, o esforço de Ciro para ter o próximo presidente da Assembleia parecia bem encaminhado. Mas a Carta deu fôlego a Themístocles. Tem aliado de Wellington já achando que não é bom negócio encher muito a bola do PP – já visto como potencial adversário em 2022. Também soou mal a ênfase no nome de Júlio Arcoverde como a alternativa de Ciro para o lugar de Themístocles.

Isso porque, segundo os bastidores políticos, a ida de Wilson Brandão para o PP teria incluído um acordo de apoio à sua candidatura à presidência da Assembleia. Esquecer o acordo, não seria bom negócio.