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Infraestrutura precária pode unir Bolsonaro e Nordeste


Transnordestina: investimento em infraestrutura que não se conclui nem gera resultados para o Nordeste  (FOTO: ALEPI/Divulgação)

 

Não foi o melhor começo: os governadores eleitos do Nordeste aproveitaram a reunião do presidente eleito Jair Bolsonaro com todos os governadores do país para marca posição política e virar as costas para o futuro ocupante do Planalto. Oito ausências e uma única presença, a do governador do Piauí, Wellington Dias, encarregado de representar a região. Mas a Carta entregue por Wellington em nome de seus pares trouxe a pista de que algo une os dois lados.

Entre os itens alinhados pelos governadores está um leque de obras, sobretudo obras de infraestrutura há muito reclamadas pela região. E isso tem tudo a ver com o discurso do presidente eleito, que aposta no fortalecimento da infraestrutura como caminho mais rápido para a geração de emprego no curto prazo e também para a sustentação da economia, em um horizonte mais longo.

A infraestrutura precária é uma marca do Brasil em geral e do Nordeste em particular. Obras como a Transnordestina marcam passo: já são 12 anos desde o lançamento, cerca de R$ 7 bilhões investidos e pouco mais de um terço dos 1.753 km de trilhos prontos. Pior: quase sem uso, o que significa a imobilização desses R$ 7 bilhões.

Os problemas de infraestrutura do Nordeste vão bem além, como fica claro na Carta dos governadores. E o Piauí tem um lugar especial nessa carência. É aí onde governadores e Bolsonaro podem coincidir, com investimento federal pesado nessa érea, beneficiando a região e o estado. Para isso, tem que haver uma mudança no comportamento histórico.

Nas últimas duas décadas, o Brasil investiu em média 2,2% do PIB em infraestrutura, piorando especialmente com Dilma Roussef e Michel Temer. Para se ter uma ideia, no mesmo período a China investiu 8,5% do PIB e a Índia, 4,7%. Os especialistas dizem que o Brasil precisa investir cerca do 3% PIB para manter a insuficiente infraestrutura atual. O ideal, para mudar de patamar, é investir 5% do PIB por alguns bons anos seguidos.

Quem sabe. agora governadores e governo federal se unam para mudar a realidade histórica.
 

Falta um projeto para a Transnordestina

A Transnordestina é um projeto inacabado. E inacabado em todos os sentidos, inclusive pela falta clara sobre o uso da ferrovia ao seu final. A expectativa da Transnordestina Logística, a dona da obra através de uma PPP, é que a ferrovia terá capacidade de transportar 30 milhões de toneladas por ano. A lista os produtos principais: grãos e minérios.

Pode até ser, mas os especialistas desdenham do número. Em termos comparativo, vale lembrar que a Rumo – operadora da ferrovia que liga o Centro-Oeste ao porto de Santos – transporta algo em torno de 5 milhões de toneladas por ano. E olha que estamos falando do Centro-Oeste, que produz a maior parte dos grãos do país.

O que é produzido atualmente nos sertões do Piauí, Pernambuco e Ceará não dá horizonte à Transnordestina. E, olhando bem, não há projetos claros sobre o que vai viabilizar a ferrovia.