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MDB dá crédito à relação de Bolsonaro com bancada temática


Marco Aurélio Sampaio: crédito à estratégia de Bolsonaro de negociar com as bancadas temáticas do Congresso Nacional

 

Por enquanto, vem sendo a faceta mais inovadora na condução que Jair Bolsonaro (PSL) vem fazendo, na montagem do governo que assume em janeiro: ao invés do diálogo clássico com os líderes das bancadas partidárias, o futuro presidente está dialogando com as chamadas bancadas temáticas (evangélicos, ruralistas, bancada da bala). E assim, nem mesmo o único nome do próprio PSL já escalado para o ministério (Marcelo Álvaro, do Turismo) tem aval do partido.

O que se tem ouvido são resmungos de importantes lideranças de grandes partidos. Gostariam de estar na mesa de negociação, escalando seus prediletos. Mas Bolsonaro tem feito ouvidos moucos para esses reclames. O detalhe é que ontem o presidente eleito recebeu um crédito exatamente do partido considerado mais fisiologista, aquele que esteve no coração de todos os governos, de direita e de esquerda: o MDB.

Boa parte da bancada do MDB esteve em reunião com o principal articulador do partido, deputado Onyx Lorenzoni, que ocupará o Gabinete Civil da Presidência. E, pasmem: não pediu nada, não cobrou lugar no governo e ainda deu crédito à estratégia que vem sendo usada. E veja bem: o MDB tem um representante no ministério (Osmar Terra, da Cidadania), mas reconhece que chegou lá sem aval do partido. Não pode pedir nada sequer a Terra.

O Piauí esteve representado na reunião com Onyx pelo deputado eleito Marco Aurélio Sampaio. E ele diz com todas as letras: “A bancada deixou o governo à vontade. E não se falou em espaço na administração”, disse. Para Marco Aurélio, Bolsonaro tenta um novo caminho. “Vamos ver se funciona”, disse, ele também dando crédito à estratégia.

Detalhe: Marco Aurélio não foi só assistir reunião em Brasília. Ele esteve no Ministério da Integração Nacional. Levou projetos do Piauí debaixo do braço. Tenta conseguir algo nesse final de governo, dentro da operação “raspa do tacho”.
 

Placar eletrônico será teste

Apesar dos biquinhos das lideranças partidárias, muita gente está elogiando a estratégia de Jair Bolsonaro de formar um governo em entendimento com as bancadas temáticas. Mas o desenho “apartidário” do ministério ainda está para ser testado como eficiente do ponto político. E esse teste só será feito quando Bolsonaro precisar aprovar algo no Congresso.

Quem vai dizer se a estratégia é boa ou ruim é o placar eletrônico. Ou seja: o resultado das votações no Congresso, registrada no placar eletrônico. Se Bolsonaro conseguir maiorias e aprovação de matérias fundamentais, estará confirmado o sucesso da estratégia.

Se o resultado for adverso, aí os lideres partidários voltarão à cena central da governabilidade.