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4 livros de férias para entender o momento político atual

Por uns 15 dias, fico longe aqui da coluna e da rádio Cidade Verde. Férias. E como todas as boas férias pedem pelo menos alguma boa leitura, carrego alguns textos comigo. E deixo também algumas indicações para quem tenta acompanhar e (principalmente) entender a política atual, no Brasil e no mundo. As indicações que relaciono aqui não deixam dúvidas: o mundo vive uma profunda crise política, como em poucos momentos da História. Por isso, vale a pena refletir a respeito.

A primeira indicação é Ruptura, uma publicação muito, muito recente de Manuel Castells, o homem que há 25 anos começou a discutir a fundo a Sociedade em Rede. Ele fala agora da crise da democracia liberal e o descrédito da política. É professor da Universidade da Califórnia mas é, antes de tudo, espanhol. E, assim, vai mais além de Brexit, Trump e Macrón – já devidamente analisados no texto – e avança um olhar sobre a realidade latino-americana. Não analisa ainda Bolsonaro, mas já tem uma visão muito interessante sobre o Brasil de hoje.

Ruptura é um livro para se ler de uma tirada só, porque é pequeno (127 páginas) e, principalmente, porque é muito, muito esclarecedor sobre os dilemas e desafios que vivemos.

A segunda leitura é Como as democracias morrem, de Steven Levitsky e Daniel Ziblatt, dois professores de Havard. Não li o livro. Mas as indicações são ótimas. Toma o caso Trump como referência, analisa a realidade geral da política no planeta e, para não perdermos o fio da meada, faz comparações com outros momentos cruciais da história, inclusive o período Hitler. O livro tornou-se leitura obrigatória para quem deseja entender a complicada situação deste quintal chamado Terra.

Vai aí a terceira leitura: O Fim do Poder, de Moisés Naím, um venezuelano há muito radicado na Espanha e consultor de meio mundo. Mostra claramente que o exercício do Poder mudou. O livro tem mais de cinco anos, mas casos mais recentes como os muitos levantes dos despossuídos ou mesmo as vitórias de Trump e Bolsonaro revelam que a reflexão que traz é muito precisa. E tudo isso fica ainda melhor com o sotaque latino.

Por fim, um livro histórico escrito como romance: No Jardim das Feras, de Erik Larson. Com farta documentação, mostra o momento do nascimento do regime de Hitler, de 1933 até o final da década. É desconcertante ver como a brutalidade tinha o aplauso de tantos e condescendências mundo afora. Mais perturbador ainda é perceber certas similaridades com o período atual.

As publicações não dizem o que é bom ou ruim. Dizem o que acontece, o jogo de forças, os problemas institucionais de legitimidade etc. E dão muita munição para se refletir.

Boa leitura.