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O Nordeste precisa. Mas não sabe o que terá de Bolsonaro


Jair Bolsonaro: ministério sem sotaque nordestino aumenta expectativa da região sobre o novo governo

 

Faltam pouco mais de dez dias para Jair Bolsonaro (PSL) assumir a presidência da República. Leva para o Planalto um mundo de expectativas – de uma parte, gente que torce descaradamente por seu fracasso; de outro, um número maior (que inclui inclusive gente que não votou nele) torcendo para que dê certo e consiga corrigir um montão de coisas que andam pelo avesso. Mais que isso, que consiga reconciliar o país e trazer de volta o desenvolvimento.

Não são tarefas fáceis, especialmente porque a equipe do novo presidente e ele próprio às vezes esticam a corda, quando deveriam afrouxá-la. Daí, a reconciliação torna-se um caminho mais complicado. E a retomada do desenvolvimento tem um entrave gigantesco na herança que Bolsonaro recebe, de um país desconjuntado.

A região Nordeste guarda especial expectativa em relação ao novo governo. Primeiro, porque foi na região onde Bolsonaro perdeu de cabo a rabo: nove estados, nove derrotas. Também a região Nordeste é o pedaço do país que mais clama por ações emergenciais, sobretudo no campo da infraestrutura e no fortalecimento da economia. Mas os primeiros sinais não foram de todo animadores.

É verdade que o novo presidente já disse e repetiu que não vai discriminar ninguém e que será presidente de todos os brasileiros. Ainda assim, cabe lembrar que o ministério não tem nordestinos. O único que aqui nasceu chegou lá pela patente de general, não pelos vínculos regionais.

Demandas urgentes
O Brasil tem demandas urgentes. Mas o Nordeste tem mais pressa que o resto do país, sobretudo porque os grandes projetos que deveriam transformar a realidade da região estão paralisados ou a meio caminho. A transposição do São Francisco é um exemplo, a meio caminho mesmo após décadas de demora e bilhões e bilhões de Reais. Outro exemplo é a Transnordestina, iniciada há 12 anos: já consumiu R$ 7 bi e tem só metade do caminho percorrido. O dinheito investido não rende.

No caso do Piauí, as demandas se multiplicam. E cabe lembrar que somos o único estado da região sem uma grande obra capaz de promover uma inflexão econômica e social. Para lembrar: o Ceará ganhou Pecém; o Maranhão, Itaqui e Alcoa; Pernambuco, Suape, FIAT e Porto Digital. E nós? Necas!

Até a Transnordestina é uma promessa pela metade, já que não há um projeto a ela atrelado. O trilho pode chegar e ninguém vai saber para que. Se quiser, o novo governo pode fazer muito pelo estado, inclusive com as ações relacionadas à segurança hídrica – isto é, água para o povo.

Não precisa ser nordestino
Cabe destacar que a falta de nordestino no ministério tem uma razão principal: Bolsonaro não guiou a montagem do seu governo por critérios partidários e regionais. Ok. Isso pode não ter mesmo nenhuma importância, se chegarem as ações que o Nordeste necessita. Assim, pouco importa se será ou não com a assinatura de um nordestino. Importa que cheguem.