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No governo Bolsonaro, Piauí perde a primeira


Valdemar Rodrigues: reconhecido nacionalmente pelo trabalho ambiental, foi preterido na indicação à presidência do IBAMA

 

O Piauí perdeu o primeiro embate para emplacar um nome em função de referência no Governo Bolsonaro, que começa em dez dias. Ontem, o futuro ministro do Meio Ambiente, Ricardo Sales, anunciou o presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O órgão será comandado pelo procurador federal Eduardo Bim. Havia uma expectativa que o posto pudesse ser ocupado pelo piauiense Valdemar Rodrigues.

Valdemar Rodrigues tem altíssima credencial técnica: é um dos maiores especialistas do país no tema da desertificação. Foi professor da UFPI e ganhou projeção por seus estudos sobre a desertificação na região de Gilbués, garantindo a Valdemar espaço em grandes fóruns internacionais. Atualmente, está no Ministério do Meio Ambiente cuidando exatamente dessa área.

A indicação de Valdemar era defendida por diversos interlocutores ligados ao meio ambiente no país e, obviamente, pelos piauienses mais próximos do staff de Bolsonaro. Mas Sales preferiu escolher Bim, que também ocupa espaço dentro do atual governo, ainda que sem as mesmas credenciais técnicas de Valdemar. Neste primeiro embate, o Piauí ficou a ver navios.

Outros cargos em disputa
Mas o Piauí ainda está na disputa por cargos nacionais. E um deles é exatamente um posto que atualmente tem outro piauiense no lugar: a presidência da Codevasf, a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba. Atualmente o posto é ocupado por Avelino Neiva. O staff de Bolsonaro tem agora um outro piauiense na lista de cotados para a função.

Vale observar, a Codevasf tem um papel estratégico para o Nordeste. E pode ter uma grande contribuição para a transformação da região e mais ainda do Piauí, tanto no que diz respeito à garantia de abastecimento d’água para comunidades rurais como para o fortalecimento de políticas de segurança hídricas e ações de desenvolvimento regional. Para se ter uma ideia, só uma única cidade do Piauí não está na área de influência da Codevasf – é Cajueiro da Praia. Todas as demais podem ser beneficiadas pelo órgão.

Dois cargos locais já têm donos
A disputa por espaços não se restringe aos cargos de alcance federal. Longe disso. Na verdade, o que mais interessa aos políticos locais são os cargos federais de atuação no Estado. São quase 30 cargos, mas ainda não se sabe se todos sobreviverão. Dos que permanecem, dois já têm dono.

O senador Elmano Ferrer (PODE) vai manter o comando do DNIT, embora não esteja assegurada a permanência de Ribamar Bastos. No INSS, Ney Ferraz deve ficar onde está, com uma curiosidade: ele chegou ao cargo pelas mãos de Rodrigo Martins (PSB) e, quando Rodrigo rompeu com o governo Temer e entregou o cargo, ele foi mantido através de um novo padrinho, Ciro Nogueira (PP). Agora não terá o aval de Ciro, mas dos bolsonaristas piauienses.