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O ‘petróleo do futuro’ é nosso. E o desenvolvimento, será?


Carro elétrico: mudança nos veículos abre nova onda de oportunidades onde Brasil corre risco de ser mero figurante

 

O Brasil é conhecido como o país do futuro – um futuro que, segundo a lenda, nunca chega. E talvez não chegue porque o Brasil é também uma espécie de campeão em perdas de oportunidades para a construção de um futuro realmente diferente. Pois uma nova oportunidade está se colocando, e atende pelo nome de lítio, o minério que é considerado o “petróleo do futuro”. Com um detalhe a mais: o Nordeste tem a chance de se dar bem nessa história.

Com reservas bem expressivas, o Brasil pode ser um dos grandes fornecedores de lítio. Pode, mas ainda está longe de ser.

Vale lembrar, o lítio é a matéria-prima das baterias elétricas, o equipamento que vai paulatinamente substituindo os derivados do petróleo na propulsão de veículos. Essa substituição vai ganhar aceleração nos próximos anos, com as regras voltadas para a redução dos níveis de carbono. Muitas montadoras já colocaram data para abandar os motores a combustão: 2026.

Tudo isso quer dizer que quem tiver lítio pode conquistar importantes vantagens. E o Brasil tem, especialmente na pobre região do Vale do Jequitinhonha, em Minas, e em boa parte do Nordeste, sobretudo no Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Bahia. Hoje essas reservas estão quase inexploradas – amealhamos algo como 1% do mercado global, enquanto Chile e Austrália dominam 75% e a Argentina soma outros 13%.

Podemos fazer do lítio uma boa ponte para o futuro, para um desenvolvimento forte e distribuído. Mas isso só será conseguido se o Brasil souber ser mais que um mero exportador de commodities. Caso contrário, tende a ser o que a Arábia Saudita é na “era do petróleo”: produz muito, mas o país segue pobre e na periferia do mundo.
 

Brasil já perdeu outras ‘ondas’

O Brasil já perdeu diversas outras ondas que levavam ao futuro. No campo dos automóveis a combustão, era um dos grandes sem marcas próprias relevantes. Também ficou de fora da corrida pelo carro elétrico, já que sequer desenvolve pesquisas significativas a respeito. E, pelo menos por enquanto, está olhando a nova corrida do ouro – isto é, pelo lítio – como um mero fornecedor de commodities. Mais uma vez.

O Brasil também está assistindo a outras ondas do presente, pontes para o futuro, traduzida no que está sendo chamada de 4ª revolução industrial. Essa nova revolução inclui áreas que vão definir quem será protagonista no mundo de daqui uns dias: nanotecnologias, neurotecnologias, robôs, inteligência artificial, biotecnologia, sistemas de armazenamento de energia (o caso das baterias de lítios está aqui), drones e impressoras 3D.

Em todas as áreas, o Brasil é consumidor.