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Comércio espera ter o melhor natal em dez anos


Shopping decorado para o natal: comércio espera crescimento de 5% nas vendas deste ano, em relação ao ano passado

 

Os lojistas estão animados, uma animação que já vem de antes, no sorriso dos industriais que lá pela metade do ano ou um pouco depois receberam as encomendas do comércio, já de olho no natal. E a expectativa é que este será o melhor natal dos últimos dez anos. É para comemorar, sim, ainda que boa parte desse crescimento seja apenas a recuperação de um longo declive que começou ainda no final do governo Lula.

As perdas significativas na economia brasileira começaram com a crise de 2008, que sacolejou o mundo e acordou o Brasil de um período de bonança que os gestores achavam que nunca acabaria. Pior, após a crise as intervenções na economia artificializaram as relações de mercado e a bomba estourou: a explosão se fez ouvir sobretudo a partir de 2014, resultado de uma série de imperícias do governo Dilma cujos efeitos a gestão Temer não conseguiu interromper.

O máximo que Temer conseguiu foi, tecnicamente, tirar o país da recessão que derrubou o PIB perto dos 10% em apenas dois anos – o biênio 2015 e 2016. Mas o país seguiu patinando, com desemprego nas alturas, grande endividamento e menor confiança do consumidor. Este ano, o resultado ainda é, para dizer o mínimo, muito tímido: o PIB deve crescer 1,3%, após uma recuperação de apenas 1%, ano passado.

Mas o país acaba o ano com otimismo. E o consumidor vai às compras.

Segundo dados do SPC Brasil, quase 10 milhões de brasileiros devem fazer compras nesta última semana em torno do natal. Os lojistas esperam vendas 5% acima que as registradas no ano passado. Se esse índice se confirmar, será o melhor resultado desde o início da série histórica, em 2008.

E olha que poderia ser ainda melhor. Os lojistas acreditam que há limitadores importantes, como a lenta recuperação do nível de emprego. Mas ajuda uma maior confiança no futuro e uma razoável disponibilidade de crédito.
 

Dívidas tiraram R$ 30 bi da economia

O ano termina com um certo alívio das famílias, que viram suas dívidas diminuírem em 2018. Mas o preço foi alto: a redução não foi exatamente a esperada. Com isso, cerca de R$ 30 bilhões deixaram de circular na economia. O impacto não é desprezível.

Segundo dados da consultoria AC Pastore, se esse dinheiro fosse direcionado às compras, as famílias brasileiras teriam consumido 0,7% a mais, o que implicaria no incremento de 0,4% no PIB brasileiro. Ou seja: o Brasil terminaria o ano com um PIB robustecido em 1,7% em relação ao ano passado, e não os 1,3% previstos.

A expectativa agora é que o ano novo traga uma economia mais dinâmica. E com melhores resultados para os diversos segmentos.