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Temer sai bem maior que a popularidade que tem


Michel Temer, no lançamento das novas diretrizes para o Ensino Médio: a concretização de reformas importantes

 

No calor das discussões após as eleições de 2014, o ex-ministro Ciro Gomes costumava fazer um diagnóstico sobre os presidentes brasileiros. Nesse diagnóstico, observava que Dilma Rousseff seria o primeiro presidente do país, entre os eleitos desde 1989, a entregar um Brasil pior que o recebido no início de mandato. A frase de Ciro continua valendo, agora, quando Michel Temer está a apenas cinco dias de entregar o Brasil a um novo presidente.

No final de mandato, olha-se para o governo Temer e vem a pergunta: qual o temanho do presidente que sai do Planalto? A resposta não é simples, especialmente sem um olhar à distância e as implicações de medidas agora implementadas. Mas pode-se dizer sem medo que Temer é muito maior que sua popularidade. E certamente é evidente que entrega um país melhor que aquele recebido há dois anos e meio.

Com isso não se quer dizer que o país está uma maravilha. Longe disso. Mas há alguns ajustes que devem ser levados em conta. Olhando retrospectivamente todo o período de redemocratização, dá para fazer uma síntese dos presidentes.

• Fernando Collor: saiu em desgraça, mas deixou iniciado um processo de modernização do país, especialmente nas relações comerciais globais.
• Itamar Franco: pacifica o país e, através de Fernando Henrique Cardoso, dá o primeiro passo para a estabilidade econômica há muito buscada.
• Fernando Henrique: com estabilidades econômica e política, cria as condições para a expansão que o país vai viver na década seguinte.
• Lula: promove a expansão econômica que gera importantes conquistas no campo social, levando ao consumo milhões de brasileiros.
• Dilma Rousseff: praticamente desmonta os avanços de duas décadas e deixa o governo com a maior recessão do país desde a década de 1930.
• Michel Temer: mesmo com a aura da ilegitimidade, avança em algumas reformas consideradas importantes (como a do Ensino Médio), encerra a recessão e entrega um país melhor que o que recebeu.

Mais que tudo, Temer deixa uma boa parte do caminho aplainado para o próximo presidente, Jair Bolsonaro. E, no futuro, é provável que seja visto por olhos bem mais generosos que os de seus contemporâneos, que o transformaram no presidente pior avaliado da história.