Cidadeverde.com

Bolsonaro não quer aliados dando asas a adversários nas Redes


Jair Bolsonaro: orientação para que seus seguidores nas redes sociais não dêem ressonância às críticas de adversários

 

Desde que foi eleito presidente, Jair Bolsonaro (PSL) vem substituindo os tradicionais comunicados públicos, feitos através de assessores, por uma comunicação direta, através das redes sociais. Mas esse tipo de comunicação, que alcança muita gente de forma quase instantânea, não quer dizer necessariamente diálogo. Muito menos o debate. É muito mais um palanque aberto onde se diz tudo – em geral se diz muito contra alguém.

A equipe de Bolsonaro sabe disso. E decidiu que não vai dar asas aos adversários. Isso significa pura e simplesmente não participar do bate-boca tão comum nas Redes, o que na prática significaria dar voz ao outro. A orientação da equipe de Bolsonaro é manter a coesão do grupo de apoio, mas sem ter adversários por perto. Ou fazendo de conta que ele não ali.

Os bolsonaristas esperam dos adversários muito barulho, com manifestações nas ruas e na internet. Por isso estão recomendando que não divulguem atos contrários. “Não discuta. Não crie eco. Ignore-os na rede. Não faça comentários”, diz uma das mensagens distribuída entre os partidários. Sugerem a quebra da rede contrária: “As redes sociais só funcionarão como uma mídia de divulgação para eles se assim o permitirmos”.

Em resumo: o time de Bolsonaro quer a confraria festejando. E sem dar luz para “os vermelhos” – como dizem.

A estratégia não chega a ser uma novidade. Os governos sempre se preocuparam em ter a agenda midiática, que no fim das contas tem enorme peso sobre a relevância dos temas discutidos na comunidade. Agora a estratégia é mais complicada, tendo em vista que as redes sociais estão aí para todos e sem freios.

Talvez o resultado mais concreto seja a formação de bolhas: de um lado, a bolha dos aliados de Bolsonaro; de outro, a dos oposicionistas. Cada uma falando para si.
 

Presidente tem 20 milhões de seguidores

O poderio de fogo de Jair Bolsonaro para ter voz a favor não é pouco. Somente no Twitter, o presidente eleito tem 2,37 milhões de seguidores, onde segue apenas 243 perfis. Isto é: fala e ganha eco. Bolsonaro já publicou 5.446 tweetes. Ainda que priorize o Twitter em suas manifestações, o presidente tem mais de 20 milhões de seguidores, somando Twitter, Instagram e Facebook.

E não falta quem queira festejar o presidente mesmo em temas pouco empolgantes para os brasileiros, como a política externa. Na sexta-feira, a postagem que fez do encontro com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, deu muito eco, e rapidamente: em pouco mais de meia hora tinha quase 100 mil curtidas e mais de 2 mil comentários.

É esse aliado quase apaixonado que Bolsonaro deseja nas redes. Mas sem dar bolas para os adversários.