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2019, o ano em que Wellington terá que se reinventar


Wellington Dias: quarto mandato, mas pela primeira vez com o desafio de governar sem o apoio escancarado do governo Federal

 

O governador Wellington Dias (PT) assume hoje o seu quarto mandato. E será, junto com o primeiro, o que guarda mais expectativas. Em 2003, porque Wellington era uma novidade e não havia rumos seguros nem no cenário local nem no âmbito nacional, quando Lula também assumia em primeira viagem. Agora, há expectativas nacionais que agregam interrogações ao cenário. Mas há sobretudo a diferença de situação: Wellington herda de si mesmo um governo cheio de dificuldades e, pela primeira vez, tendo que encontrar caminhos próprios, independentes de Brasília.

Os ventos do Planalto sempre sopraram a favor de Wellington. Nos dois primeiros governos (2003-2010), navegou ao sabor do movimento de uma maré mundial de bonança onde o Brasil colheu frutos ainda mais especiais. Quando a crise do final e 2008 criou embaraços, Wellington já encerrava o segundo mandato. No terceiro estágio de Wellington no Karnak (2015-2018), o Brasil e o mundo enfrentavam crises, com a brasileira ganhando tom mais forte ante a pouca ação (ou ações equivocadas) no governo Dilma. Mas Wellington conseguiu eludir o aperto com aportes financeiros extras (empréstimos, repatriação etc). E havia apoio em Brasília, personificado especialmente em Ciro Nogueira (PP).

Olhando com atenção, pode-se dizer que, de certo modo, o Piauí tem sido um reflexo das andanças do país. Não tem tido grandes diferenciais: a desigualdade diminui, mas seguidos no fim da fila. O PIB cresce, mas seguidos ali disputando o pódio dos desvalidos. O Brasil reclama de obras de infraestrutura? O Piauí se ressente em dobro dessa carência.

Sem a benevolência de Brasília
Pois Wellington Dias toma o mando do quarto mandato em meio a um país que não saiu inteiramente de uma crise que já entra no quinto ano. E agora com o agravante de que não terá de Brasília a benevolência dos últimos mandatos. Vale lembrar, mesmo sob o manto de Temer, Brasília foi generosa com o Piauí, muito em função da força de Ciro Nogueira. Mas foi.

Agora, em relação ao Karnak, Brasília tende a ter comportamento distinto por dois motivos. Primeiro que a diretriz de Bolsonaro é a de um governo liberalzão onde o setor privado terá um papel enormemente destacado. Segundo, pretende estabelecer relacionamento direto com prefeituras. A grana não vem para o deputado ou o governador, que carreia para o prefeito. Não. Vai ser direto. Além disso, suspeita-se que o governo Bolsonaro não vai querer encher a bola de governos adversários. E Wellington está nessa lista.

Será o fim da ‘porteira fechada’?
Tudo isso posto, Wellington Dias terá que se reinventar em seu quarto mandato. Talvez tenha que deixar de lado a visão do Estado provedor, trocando-a pela visão do Estado indutor. Talvez tenha que repensar a fórmula da “porteira fechada”, politicamente vitoriosa mas de resultados administrativos limitados. No sistema “porteira fechada”, cada secretário é uma ilha, ou um governo paralelo. As ilhas não necessariamente se falam, as ações raramente se conectam.

Nesse novo governo, Wellington terá que ter ações mais integradas. Terá que otimizar os recursos. E chegar em Brasília com ideias bem acabadas e que não apenas estejam integradas dentro de um plano geral para o Piauí, mas que possam dialogar com estratégias mais amplas, regionais e nacionais.

Não será uma tarefa fácil.