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Hamilton Mourão cria novo perfil para vice-presidente


Hamilton Mourão: o vice à sombra de Bolsonaro é também um conselheito do presidente com influência no governo

 

Os brasileiros estão atentos aos novos gestores que tomaram o mando do país desde o dia primeiro. A atenção especial é, claro, para o novo presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL). Mas muitos dedicam atenção a outro personagem desse novo governo, mas precisamente o segundo na linha sucessória, o vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB). Há expectativas de que ele pode criar um novo perfil para o cargo.

Hamilton Mourão é militar. É do Exército, como Bolsonaro. Ele é general, enquanto o presidente é Capitão. Mas não é a diferença de patente que chama atenção, e sim a possibilidade de um vice ter especial influência sobre o titular e o desenho do governo. Quando se diz influência, não é o sentido pejorativo, insinuando manipulação. Nada disso, até porque Bolsonaro está longe de ser bobo. Influência no sentido de oferecer contribuições de alto relevo que podem ser levadas em conta pelo presidente.

Em geral, os vices são fruto de uma composição em que um grupo que adere a certa candidatura oferece um nome para ser o segundo da chapa. Alguns têm papel de destaque, como Marco Maciel, o vice de Fernando Henrique. Também, até certo, ponto, o vice de Lula, José Alencar. Outros até que tentaram, mas não tiveram maior influência que a indicação de ocupantes de alguns cargos – aí podem ser relacionados Itamar Franco e Michel Temer, ambos ganhando novos lugares a partir do processo de impeachment de seus titulares.

Hamilton Mourão parece ter um papel distinto. Ele faz parte de um grupo de militares há muito ouvido por Bolsonaro. Chegou a vice não por aliança, mas precisamente pela falta dela: sem um partido grande que se juntasse à sua campanha e até indicasse o vice, Bolsonaro lançou mão de um dos seus suportes, um companheiro de primeira hora. E Mourão virou vice-presidente.

Guarda divergências de visão com o presidente, mas segue como importante conselheiro. Pode são ser o primeiro – há quem diga que é Augusto Heleno, outro egresso do Exército – mas tem voz junto ao titular do Planalto, conribuindo para conceiuar o prórpio governo. Dessa forma assegura um figurino novo à vice-presidência.

Os vices da Redemocratização

Cada vice, uma história. E a história vai dizer o que caberá a Hamilton Mourão. Vamos saber o que fica dos demais vices desde a redemocratização.

JOSÉ SARNEY: o vice que nunca foi, porque no dia da posse já se tornou presidente, diante da doença (e depois morte) de Tancredo Neves. Indicado pelos aliados do velho regime que enfim se decantavam pela democracia, Sarney sequer pode ser avaliado como vice.
ITAMAR FRANCO: vice de Fernando Collor, tinha papel quase decorativo, sobretudo porque Collor se portava de forma imperial: ela ele mesmo. E ponto. Ganhou luz só com o impeachment
MARCO MACIEL: considerado o vice perfeito. Intelectualmente preparado, sabia pensar o Estado – ainda que Fernando Henrique tivesse seu próprio desenho. Também era bem articulado no Congresso e descascou muito abacaxi para FHC na relação com o Parlamento. Mais que tudo, sempre foi muito discreto, sem nunca criar problema para o titular.
JOSÉ ALENCAR: também discreto, não criou problemas para Lula. Talvez tenha tido mais importância para o petista ainda na campanha, quando atraiu segmentos importantes do empresariado. Depois, o PT era senhor do governo.
MICHEL TEMER: como Fernando Collor, Dilma não dava bolas para muita gente. E assim, Temer contava mesmo para garantir os espaços do PMDB no governo, sem influência nenhuma no desenho da gestão. Só mostrou força quando Dilma já tinha caído em desgraça e estava aberta a porta para o impeachment.