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Heráclito, sem mandato, mantém influência com Bolsonaro


Heráclito Fortes: mesmo sem mandato renovado, deputado mantém canais abertos junto ao governo federal (FOTO: Câmara dos Deputados)

 

O deputado Heráclito Fortes (DEM-PI) é um velho conhecido do Congresso, onde desembarcou com mandato em 1982. Nesses 36 anos, criou laços fortes e contou com grande poder no período Sarney (sobretudo via Ulysses Guimarães), no período FHC e agora no mandato de Michel Temer. As eleições passadas deixaram Heráclito sem mandato e a partir de 1º de fevereiro ele fica sem assento na Câmara. Mas a falta de mandato não o tirou do centro do poder. Ele segue dialogando diretamente com o núcleo do novo governo.

Heráclito Fortes faz parte de um grupo de políticos, com mandato ou não, que tem voz junto ao novo governo. Primeiro, tem diálogo aberto com o próprio Bolsonaro. Além disso, é precisamente a casa do representante piauiense que funciona como uma espécie de ponto de encontro de um time que tem nomes como Benito Gama, José Carlos Aleluia, Danilo Fortes e até mesmo o articulador político número do governo, o ministro Onyx Lorenzone.

Esse grupo costuma se reunir completo nas quintas-feiras, quando Heráclito oferece almoço com tempero piauiense. Além do capote e da galinha ao molho pardo, esses almoços têm no cardápio discussões sobre os rumos do país. Foi em um desses encontros, na primeira quinzena de dezembro, quando surgiu o alerta ao novo governo: era preciso dialogar com as bancadas partidárias para garantir a viabilidade de matérias como a reforma da Previdência.

Depois do alerta, Lorenzone saiu a escutar as bancadas, costurando um grupo mais coeso de apoio ao governo. O Palácio do Planalto ainda está longe de ter tranquilidade, mas os temores diminuíram muito deste então.

Diante dessa capacidade de estar junto, alguns apressados poderiam imaginar Heráclito à frente de algum órgão federal. Não se cogita isso, inclusive porque não é o perfil de Heráclito. Mas é provável que tenha lugar em alguma estrutura de assessoramento político – dentro do palácio ou mesmo no Congresso. Independente disso, Heráclito deve ter influência na indicação em alguns cargos federais.

Esforço para manter Avelino na Codevasf

No governo Michel Temer, Heráclito Fortes tinha importante espaço. Como integrante da bancada do PSB (ao qual era filiado), indicou os dirigentes do Ibama, SPU e Infraero no Piauí. Como deferência pessoal do presidente Temer, indicou um vice-presidente do Banco do Brasil. E, depois, avalizou a permanência de Avelino Neiva na Codevasf.

Agora Heráclito tenta manter Avelino no posto, embora o cargo seja cobiçado por outras lideranças do Nordeste, inclusive do Piauí. O primeiro a defender a permanência foi o deputado Átila Lira, falando como coordenador da bancada piauiense no Congresso. Esse gesto pode ser importante para Heráclito revalidar sua influência e emplacar, de novo, o comando da Codevasf.

Uma pausa de 15 dias

Aviso aos distintos leitores: o colunista se afasta por 15 dias. São o complemento das férias. Dia 21 estarei de volta.

Até lá.