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Flávio Bolsonaro compromete discurso e governo do pai


Flávio Bolsonaro: falta de explicações complica a vida do parlamentar e o governo do pai  (FOTO: Alerj/Divulgação)

 

O ditado é antigo: quanto mais mexe, mais o odor se mostra agressivo. E o ditado encaixa como uma luva no caso de Flávio Bolsonaro e seu ex-assessor Fabrício Queiroz. Cada nova revelação deixa a situação mais complicada. E a cada falta de explicação, mais escancarada fica a verdade – porque as evidências dispensam explicações.

Há uma série de fatos que tornam o caso mais grave. Nem falo dos valores, que não são baixos (suspeita-se que acima de R$ 7 milhões), ainda que sejam até pequenos diante de outros escândalos. Mas são comprometedores para qualquer representante popular, e no caso estamos falando de um deputado estadual que acaba de conquistar uma vaga no Senado. Obviamente, o caso é ainda mais comprometedor por ser o filho de presidente, e um presidente que chegou ao Poder prometendo rigor com as falcatruas.

O vice-presidente, Hamilton Mourão, diz que o episódio não tem “nada a ver” com o governo. A rigor, não tem: as transações com dezenas de depósitos bancários se referem ao deputado estadual e seu assessor na Assembleia Legislativa no Rio de Janeiro. Mas simbolicamente tem tudo a ver. Com suas estripulias, Flávio colocou em xeque o discurso do pai e a linha de conduta do próprio governo. O recurso ao foro privilegiado para barrar as investigações só piora o quadro.

Cabe lembrar, foi o próprio Bolsonaro, o pai, quem disse que “foro privilegiado é coisa de bandido”. Pois foi o filho o primeiro a recorrer a tal expediente, apenas na segunda semana de gestão. Cabe ainda observar que Sérgio Moro chega a Davos para falar sobre o combate à corrupção. Dirá aos barões da economia mundial que a corrupção atrapalha os negócios.

A bem da verdade, atrapalha tudo: os negócios, os serviços públicos, a qualidade da saúde, a segurança pública, a educação e as obras de infraestrutura. No caso de Flávio Bolsonaro, ele atrapalha especialmente o governo do pai, que perde força ainda no primeiro mês, antes de ter a chance de mostrar resultados efetivos.

Caso mostra prática comum

O caso de Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz mostra uma prática comum nos legislativos: o parlamentar fica com um pedaço da grana do assessor. Na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, além de Flávio, estão sendo investigados outros 27 deputados, todos pelo mesmo motivo. Situação semelhante já foi denunciada no Congresso, e por várias vezes.

Agora sabe-se que cerca de 20 assembleias legislativas estaduais estão sob a mesma desconfiança, com investigações sobre tal prática. Cabe lembrar, a investigação na Assembleia do Rio não começou por conta de Flávio. Mas ganhou corpo precisamente por ele. Agora é também por ele que avança para outros estados.