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Na disputa da Assembleia, Wellington lava as mãos e complica Ciro


Wellington Dias: sem tomar partido na disputa pela presidência da Assembleia  (FOTO: CCom/Divulgação)

 

Até quarta-feira, as chapas que vão concorrer à Assembleia Legislativa terão que ser registradas. Tanto os aliados de Themístocles Filho (MDB) como os de Hélio Isaias (PP) olhavam a data com certa expectativa, associando-a com uma outra data: a do retorno do governador Wellington Dias (PT) ao Piauí. Ocorre que o retorno de Wellington parece não ser tão relevante porque ele já tomou uma atitude que desde antes da viagem desenhou o roteiro da eleição entre os 30 deputados: o governador lavou as mãos para a disputa.

Os aliados de Hélio Isaias, em especial o senador Ciro Nogueira, presidente do partido do adversário de Thermístcoles, contavam com o empenho do governador em favor do candidato "progressista". O cálculo de Ciro pode ter desconsiderado um fator: Wellington é o líder de uma ampla aliança que o reconduziu ao governo e faz pouco sentido tomar o partido de um dos aliados em desfavor do outro. Sim, porque tanto Themístocles quanto Hélio são da base do governo no legislativo estadual.

Antes de viajar, diversos deputados das mais variadas siglas estiveram com o governador. Queriam saber se Wellington tinha alguma orientação. A resposta foi sempre algo que poderia ser traduzida na frase “fique à vontade”. Na prática, evitou tomar um lado entre dois candidatos que integram seu grupo de apoio político.

Vale observar, alguns deputados sempre tiveram destacada preferência por Themístocles. Mas também dispensam especial atenção ao governador. É o caso, por exemplo, do coronel Carlos Augusto, de Fábio Xavier e Flávio Nogueira Jr. Se houvesse um apelo de Wellington, poderiam reavaliar sua preferência. Como não tiveram nenhum sinal do gabinete principal do Karnak, deixaram o coração falar. E estão com Themístocles.

A postura de Wellington permitiu que a candidatura de Themístocles se firmasse como favorita e assim ela chega a esta última semana. E como o governador só retorna na quarta-feira, o tempo parece ser contra os interesses de Hélio Isaias e Ciro Nogueira.

Ciro calculou mal ou o Karnak calculou melhor?

O empenho de Ciro Nogueira contrário a Themístocles Filho teve o especial empenho do presidente estadual do PT, Assis Carvalho. Avaliava-se que a dupla praticamente obrigava Wellington a apoiar Hélio Isaias. O cálculo de Ciro e Assis corre sérios riscos de ter resultado muito diferente do esperado.

Agora a pergunta é se Ciro calculou mal ao fazer uma aposta tão alta. Ou se o Karnak fez um outro cálculo, encontrando resultado melhor. Sim, porque há no PT quem avalie que entregar o comando da Assembleia a Ciro é fortalecer demais a um potencial adversário de eleições futuras, em especial da de 2022. Themístocles, por outro lado, já mostrou que pode ser um aliado mais útil: com a liderança que tem na Assembleia, já levou até mesmo oposicionistas a votarem as matérias do governo.

Nesse sentido, o cálculo do Karnak tenderia a dizer que Themístocles pode ser um risco menor e, além disso, um aliado maior.