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O velho PFL tem, de novo, as rédeas do poder


Rodrigo Maia e ACM Neto: o DEM, herdeiro do antigo PFL, está no centro do Poder da República  (FOTO: Câmara / Divulgação)

 

Em entrevista ao Jornal do Piauí (TV Cidade Verde), na sexta-feira, o deputado Fernando Monteiro resumiu de forma simples sua futura filiação ao Progressista: “Estou voltando às origens”, disse, lembrando que começou a vida política filiado ao PDS. O PDS se dividiu e surgiram o PFL (onde Fernando esteve uma vida) e o atual PP. O PFL mudou de nome e se transformou em DEM. Pois olhando dessa forma, pode-se dizer que o velho PFL está de novo no centro do Poder, com todas as rédeas à mão.

Obviamente, ocupa o centro do Poder como DEM: tem três ministros e os presidentes da Câmara e do Senado. Não é pouca coisa, ainda mais que um dos ministros é o todo superministro Onyx Lorenzone, que comanda a Casa Civil da Presidência da República. Vale lembrar, a Casa Civil administra as relações políticas do governo, especialmente com o Congresso.

É relevante observar a presença do presidente nacional do DEM, ACM Neto, na eleição da Câmara. Era um dos mais risonhos após a eleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Na Câmara dos Deputados, Lorenzone não terá um interlocutor fácil. Rodrigo Maia, eleito com folga na sexta-feira, não se bica com o ministro, apesar de colegas de sigla. Prefere falar diretamente com Gustavo Bebiano ou com o próprio presidente Jair Bolsonaro. Já no Senado, o eleito chegou ao posto sobretudo pelo estímulo de Lorenzone. É um nome do ministro. 

Independente dessas relações específicas, os presidentes das duas Casas legislativas sempre têm muito poder. Neste caso, pela proximidade com o governo federal, devem ter mais prestígio ainda. Mais que isso, devem ser cruciais na estratégia de levar adiante as propostas de reformas, em especial a da Previdência.
 

Sem representar o DEM, mas do DEM

A filiação partidária teve pouca impritância no debate em torno das eleições para a presidência da Câmara e do Senado. Rodrigo Maia se credenciou – inclusive junto ao partido do presidente Jair Bolsonaro – pelo compromisso com as reformas, e pela capacidade de unir as mais diversas correntes. No debate, não se falou em partido.

O mesmo prevaleceu na disputra pela presidência do Senado. Lá, talvez mais que na Câmara, nem o tema partidário foi ausente. A votação dividia os senadores entre aliados de Renan Calheiros e adversários de Renan. Venceu Alcolumbre. Esse tipo de desatenção à filiação partidária vale também para os ministros Lorenzone (DEM-RS), Tereza Cristina (DEM-MS) e Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS). Não chegaram lá como indicação do partido, mas como critérios técnicos e ligação com bancadas temáticas.

Mas, com certeza, vão fortalecer muito o partido, a começar por seus estados.