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Reforma de Wellington cria impasse entre política e gestão


Wellington: dilema entre as necessidade administrativa e a acomodação dos aliados que lhe deram o 4º mandato  (FOTO: CCom)

 

No correr desta próxima semana, o governador Wellington Dias (PT) encaminha à Assembleia Legislativa a proposta de reforma na administração estadual. Pouca gente é capaz de apontar os contornos reais da proposta do governador. Mas praticamente todos também apontam para o óbvio impasse entre os interesses políticos de Wellington e as necessidades administrativas desse seu quarto mandato.

Pelas necessidades do Estado, é fundamental uma série de cortes nos gastos da administração. Mas há muita gente argumentando que tal economia não se faz com a diminuição da estrutura, e sim com a redução do custeio, de contratos como o aluguel de carros e acomodação de terceirizados. Mudar a estrutura poderia resultar na redução de gastos que talvez não chegasse à economia de 1% do total do orçamento do Estado. Seja como for, 1% pode ser algo como R$ 100 milhões.

Esse tipo de argumento contra a redução da estrutura tem uma lógica financeira – a economia é muito pequena – que está ligada à lógica política: foi acomodando parceiros que Wellington ganhou musculatura política a ponto de conquistar o quarto mandato no Karnak. Isso quer dizer que não haverá enxugamento da máquina? Não. Vai haver, sim, mas talvez não chegue a ser essa mudança toda...

O deputado João Madison disse ter ouvido no Karnak que ficariam no máximo 20 das atuais quase 30 secretarias. É ver para crer. Por enquanto, há certeza do desaparecimento das secretarias de Mineração e do Trabalho. Mas deve ser criada a secretaria de Agronegócio. Extinção, extinção mesmo, está certa a das 9 coordenadorias que nunca existiram de fato.

Secretaria nova, mas com qual atribuição?

Logo após a eleição, o deputado Júlio César (PSD) deu o sinal: queria indicar o novo secretário de Desenvolvimento Rural. E o PT deixou claro em seguida: não abre mão da pasta. A saída do governador parece se encaminhar para o “jeito Wellington de ser”: acomodar todos. Deixa o PT com a SDR focada nos pequenos produtores e cria uma nova secretaria para agradar Júlio. O problema é que há um temor de ser uma secretaria esvaziada de função. Os programas relevantes, como aqueles regados com os recursos do FIDA, seguiriam na SDR.

Antônio Neto pode ficar fora do secretariado

As especulações em torno da reforma administrativa de Wellington incluem os ocupantes de cargo no primeiro escalão. E poucos são considerados certos no secretariado a ser anunciado em março. Um deles é Antonio Neto, secretário do Planejamento. Mas essa certeza pode não se confirmar. Não exatamente por decisão do governador, mas do próprio Antônio Neto, que estaria avaliando se diz sim ou não a um novo convite de Wellington. Vale lembra, a mulher do secretário desistiu de buscar a reeleição para a Câmara de Vereadores, em 2016. Pode prevalecer, portanto, um projeto familiar.