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Após disputa política, visita de ministra ao Piauí ficou esvaziada


Sem ressonãncia: visita da ministra Tereza Cristina ao Piauí fica esvaziada, sem representação parlamentar 
 

Foi um cabo de guerra, até que se chegasse à definição da agenda da primeira visita de um ministro do governo Bolsonaro ao Piauí. Uns queria que a ministra da Agricultura, Teresina Cristina, fosse ao litoral e visse de perto a força dos Tabuleiros Litorâneos. Outros cobravam que ela conhecesse os cerrados, onde se produz a grande maioria dos grãos do Estado. Venceu a turma mais próxima do DEM. E a ministra desembarcou em Parnaíba. Mas ficou praticamente só.

Ontem, a ministra participou de uma reunião com auditório esvaziado e poucos representantes da política estadual. A foto da solenidade é bem ilustrativa: além de Tereza Cristina, estavam compondo a mesa o presidente da Embrapa, Sebastião Barbosa – membro da comitiva da ministra –, o prefeito Mão Santa e o presidente da FIEPI, o ex-governador Zé Filho.

A disputa que antecedeu a definição da viagem foi o primeiro ponto a contribuir com a pouca atenção dada à ministra, que praticamente deixa o Piauí como se não tivesse estado aqui. A escolha dos Tabuleiros Litorâneo como o lugar a ser visitado é por si só equivocado: não faz parte da pasta da Agricultura e, para completar, está longe de representar a principal força do setor rural no estado, que tem nos cerrados a maior referência.

Para completar, Tereza Cristina teve a concorrência do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que veio discutir um tema mais urgente – a reforma da Previdência. Além da relevância do tema, Maia tinha a companhia do governador Wellington Dias. Era muito ingrediente contra a ministra, que fez uma visita mas é como se não tivesse vindo ao Piauí.
 

Rodrigo Maia sai fortalecido

O deputado Rodrigo Maia saiu satisfeito do Piauí: na reunião para discutir a reforma da Previdência, teve a participação de quase toda a bancada federal, com o aval do governador Wellington Dias. A percepção que levou é que a reforma terá um amplo – senão unânime – apoio dos piauienses com assento no Congresso.

Maia fez questão de destacar esse apoio por onde anda: já esteve em 20 estados, com ressonância muito positiva à ideia de aprovação rápida da reforma. A escala no Piauí também reafirma o presidente da Câmara como o grande articulador da matéria, assumindo um papel que o governo tem negligenciado, um tanto perdido em querelas como a de Carlos Bolsonaro com o ministro Gustavo Bebiano.

Se Rodrigo tem uma ressalva à tramitação, é essa: o governo tem que mostrar coesão e liderança para conduzir a reforma.