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Wellington abraça a política do Estado eficiente


Wellington Dias: diretrizes do novo mandato focadas na gestão surpreendem o mundo político piauiense  (FOTO: CCOM / Divulgação)

 

Os primeiros passos do novo governo de Wellington Dias (PT) parecem apontar uma nova e renovada disposição do governante. Segundo indicam alguns atos já conhecidos, o governador não quer que esse seja apenas o 4º Wellington, mas uma espécie de Wellington 4.0, uma referência à linguagem digital que identifica uma nova geração – ou, no caso, uma gestão muito distante das que realizou nos três mandatos anteriores.

De algum modo, pode-se dizer que o novo mandato começou pra valer na semana passada, quando ficou evidente o desenho da reforma administrativa. Não foi um simples “jogo de caixinhas” no organograma estatal. O desenho tem o proclamado objetivo de buscar uma mudança de filosofia, na qual Wellington abraça a diretriz do “Estado Eficiente”, conforme o entendimento de que é preciso fazer mais com menos. É uma visão mais de gestor e menos de político.

É claro que as graves dificuldades financeiras empurram para esse caminho. Mas vão além de meros ajustes, com a introdução de um  novo foco. E também é claro que há reações a esse novo desenho, a começar pelos políticos com assento parlamentar. E as primeiras críticas abertas vieram do próprio PT, que gostaria de ver alguns suplentes na Assembleia no exercício do mandato. Isso porque Wellington surpreendeu meio mundo ao decidir não chamar nenhum suplente do legislativo estadual.

Isso acaba com outra praga da gestão pública focada na política: a chamada “porteira fechada”, onde a indicação de um deputado para determinada secretaria implicava na administração da pasta como se fosse um feudo particular. Agora, Wellington quer indicar secretários que reportem ao governador, dentro de estratégias gerais anteriormente definidas.

Certamente tem um trunfo para fazer valer tais mudanças de estilo: a vice Regina Sousa é de casa, o que reduz em muito o poder de barganha dos aliados.
 

A versão 4.0 dentro da gestão

Começam a aparecer enormes diferenças do Wellington 1, 2 e 3 para o Wellington 4.0. A principal é o foco na gestão, ao invés de atenção basicamente política. As mudanças estão pautadas pela ideia do Estado mais eficiente, com meta definida em número: redução das despesas em R$ 400 milhões por ano. Não é pouca coisa. O gasto a menos responde por 4% do PIB, ou uns 10% do que não é carimbado. É coisa pra burro. Essas metas estão sendo alicerçadas em medidas já definidas nesses 45 dias iniciais.

Suplentes: nenhum deputado estadual será chamado para o secretariado. Nada a ver com o Wellington que chamou até 11 suplentes, simultaneamente.
Menos secretarias: as 9 coordenadorias desapareceram, e as secretarias agora são 21.
DAS e DAI: a acomodação política tem 2.300 cargos de confiança a menos, em geral DAI.
Terceirizados: serão 2.238 a menos, uma economia anual de R$ 60 milhões.
Custeio: corte de 25% nos valores para manter a máquina administrativa. Só os DAS e DAI extintos economizam R$ 11 milhões cada ano.
Modernização: Wellington quer modernizar a burocracia, incluindo gestão de pessoas. Para completar, tem a meta de reduzir a quase zero os processos em papel, com um amplo sistema de informação eletrônica.