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Projetos de Firmino ficam mais longe do PSDB


Firmino Filho com Lucy Silveira: marido e mulher com projetos políticos comuns, mas em partidos diferentes  (FOTO: PMT/Divulgação)

 

Vencedor das sete últimas eleições para a prefeitura de Teresina, o PSDB se encaminha para a disputa municipal do próximo ano em situação no mínimo curiosa. Não parece um cavalo de raça vitorioso que entra em uma corrida como favorito. Parece mais uma rês acuada pelas varas do cercado estreito, a caminho do abate. Uma das razões dessa situação são os planos do prefeito Firmino Filho: mesmo filiado ao partido e tido como principal liderança da sigla, o prefeito faz apostas que estão longe de fortalecer o PSDB.

O pouco caso de Firmino com o PSDB ficou patente ainda no início de 2017, quando avalizou o ingresso no PP de importantes nomes do PSDB, a começar por sua própria esposa, Lucy Silveira, e pelo ex-prefeito Sílvio Mendes. Também foi junto o ex-secretário Washington Bonfim. A campanha de 2018 escancararia o distanciamento do prefeito em relação aos tucanos.

Em 2018, os candidatos prioritários do prefeito eram Lucy (deputada estadual), Ciro Nogueira (senador) e Margarete Coelho (deputada federal) – todos do PP. Luciano Nunes, o candidato tucano ao governo do Estado, até era convidado para as reuniões organizadas por Firmino. Mas chegava lá e tinha pela frente só candidatos que pediam voto para Wellington Dias (PT).

Agora Firmino tem os olhos postos em 2020. E, mais uma vez, não parece empenhado em fortalecer o partido. Muito pelo contrário: ante a dúvida de vereadores aliados sobre o destino partidário, tem oferecido vários caminhos possíveis. E nunca é o PSDB. Até Charles Silveira está sendo associado ao PDT. O prefeito chegou ao cúmulo de criticar indiretamente a decisão do deputado Marden Menezes de levar lideranças do interior para o PSDB. Motivo: a liderança era do PP de Lucy Silveira.

Há uma clara divisão dentro do PSDB. De um lado, o grupo de Firmino, que se mantém unido graças à força da prefeitura. De outro, nomes com mais força no interior, como Marden e Marcos Elvas. Luciano tem mais proximidade com esse grupo, mas – ao contrário de Marden – tem evitado confronto com Firmino.

Seja como for, os diretórios do partido serão renovado nas próximas semanas. A turma de Marden e Luciano quer manter o diretório estadual. Já Firmino deve permanecer com o mando em Teresina, agora através do vereador Edson Melo. E não deve ser nem para lançar candidatura própria em 2020, e sim para evitá-la. É a rês indo para o abate.
 

Futuro presidente do PSDB não acredita em partido

Em entrevista à Rádio Cidade Verde, o futuro presidente do PSDB de Teresina, vereador Edson Melo, deixou claro que não acredita nos partidos. Acha que o eleitor vota em pessoas. Ponto. Essa crença deve ter efeito na forma de condução do partido: ele diz que vai fazer tudo para fortalecer a sigla, mas não acha fundamental que o candidato do grupo de Firmino em 2020 seja um tucano. Pode ser do PP. Ou do PDT. Ou de alguma outra sigla.

Essa descrença nos partidos pode ter repercussão inclusive em casa. Porque Edson não deverá ser candidato à reeleição: vai passar o bastão para seu filho, Hélio Melo Neto. Hélio é filiado ao PSDB, mas pode não permanecer na sigla: se avaliar que tem mais chances por outro partido, mudará de filiação. Segundo, informações correntes, essa possibilidade ele já comunicou ao próprio Firmino.

E o prefeito, que colocou a esposa no PP, nem poderá reclamar.