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Suzano reabre debate sobre porte de arma: um único revólver, 8 mortos


Rodrigo Maia: presidente da Câmara critica possibilidade de se discutir agora flexibilização do porte de arma  (FOTO: Câmara / Divulgação)

 

A tragédia de Suzano provocou todo tipo de reação: comoção, dor, revolta e, para lembrar que estamos em um Brasil cada vez menos racional, as briguinhas políticas de sempre. Também teve reação ponderada, como os que trouxeram de volta a discussão sobre a oportunidade ou não de se colocar em pauta temas como a flexibilização do porte de arma e a revisão da maioridade penal.

 A comoção, a dor e a revolta são reações que podemos considerar óbvias, diante de mais uma tragédia em um ano que espalha tragédias mundo a fora, com especial atenção ao Brasil. As briguinhas, em que tudo termina na politização simplista, tentou colocar no recém-iniciado governo esse episódio que acabou em 8 mortes. Ainda que o governo tenha problemas sérios e muitas explicações a dar, esse tipo de argumento só cabe nos que não debatem seriamente o problema do país, mas apenas raciocinam como massa de torcedores que gostariam de ver seu time campeão nem que seja com um gol roubado aos 48 do segundo tempo.

Não é assim que se constrói uma nação.

Felizmente apareceram os que colocam o dedo na ferida como deve. Uma dessas vozes (neste caso, inesperada) foi o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Apesar de representante do estado do Rio de Janeiro – onde a tese de armar o cidadão é muito forte –, Rodrigo alertou para o risco de se flexibilizar o porte de arma. Para ele, seria “uma barbárie”.

Certamente não é uma posição majoritária em certo segmento político. Mas mostra que o debate ganha um novo tom e pode alterar a perspectiva futura sobre o tema. Até bem pouco, a flexibilização do porte de arma defendida pelo governo era vista quase como favas contadas. Vozes como a do presidente da Câmara apontam para um caminho que pode não ser tão fácil.

Essa voz ganha ressonância em outras áreas além dos tradicionais especialistas que criticavam a flexibilização. Claro, há os que seguem fortalecendo o discurso a favor da mudança, como o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Para ele, arma e carro representam o mesmo risco. Não é um argumento poderoso. Ao contrário: é um argumento que tira força do movimento pela flexibilização.

As diferenças de falas não mostram o destino da discussão. Mas deixa claro que o debate está reaberto, e em nova dimensão.
 

Tragédia retoma repete politização simplista

O caso de Suzano, uma tragédia com 8 mortos, repete o clima de politização simplista que tomou conta do país nos últimos anos. Os governistas apontaram para a necessidade de um novo Brasil, com a tal da nova política – o que significa a condenação da política de antes. E os oposicionistas, os políticos de antes, apontaram para o governo atual.

Não há argumento consistente, de parte a parte. Só há torcida – contra ou a favor. É razoável observar que um governo com dois meses e pouco de gestão não seja o responsável. Também é razoável apontar o passado, mas um passado amplo, de séculos de sedimentação da cultura da violência. E aí vale apontar para ex-governos, ex-deputados, ex-senadores – os de ontem, de anteontem e os de antes de anteontem.

Traduzindo: ninguém escapa de ser apontado por tragédias como essa, que vão se repetindo. E porm isso mesmo, é hora de um debate consistente.