Cidadeverde.com

Atos contra miscigenação recuam o mundo 150 anos


Ku Klux Klan: grupo supremacista branco recobra força com esdrúxula crença de que negros não têm direito sequer a iguais direitos civis

 

Ao cometer um ato contra uma mesquita na Nova Zelândia, o australiano Brenton Tarrant deixou 49 mortos e igual número de feridos. Branco, também deixou um manifesto de 73 páginas onde brada contra a miscigenação e cita até o Brasil, como exemplo de país fraco muito em razão da mistura de raças. O brado de Tarrant não é novo: ele foi muito em voga no final do século XIX, alarmando os europeus e até provocando no Brasil uma “campanha de branqueamento”. Além do ato em si, é estarrecedor ver esse discurso ganhar ressonância e recuar o mundo em mais de um século.

Há cerca de 150 anos, a mistura de raças se mostrava mais forte, saindo das relações escondidas de dominação do branco para as relações “normais”, em casamentos formais. Na Europa, isso produziu pânico, na crença de que tal mistura poderia gerar a degeneração da sociedade do Velho Continente. Esse pensamento exdrúxulo reverberou por aqui e após a Abolição houve uma preocupação muito grande com o branqueamento da raça.

Havia o sentimento de que a raça branca era superior e que a mistura das raças geraria o natural branqueamento: o "sangue forte" prevaleceria. Virou política de Estado, que durou até por volta de 2014. O estímulo à migração de brancos europeus ia além da inenção de fortalecimento da produção e ocupação de espaços do vasto Brasil. Também era um estímulo ao branqueamento.

É curioso que haja hoje quem pense nessa mesma linha, tal como revela o manifesto de Tarrant e uma série de outros acontecimentos e movimentos ao redor do mundo. O resultado do Brexit é filho desse sentimento. E é estarrecedor ver a Ku Klux Klan – movimento supremacista branco – recobrar forças nos Estados Unidos. A KKK protagonizou episódios como um da década de 60 que resultou no filme Mississipi em Chamas, e até hoje acha que negro nem deveria ter direitos civis iguais aos brancos.

Figuras como Donaldo Trump ajudam a fortalecer esse tipo de discurso que, além de fora de moda, é completamente desprovido do censo de humanidade.
 

Mistura traz criatividade e resultados

Qualquer pesquisa revela: a mistura traz bons resultados. Mistura de homens e mulheres. Mistura de raças. Empresas como o Google são muito tradutoras disso: as visões diferentes não afastam; somam e permitem soluções mais complexas e criativas. Também estudos sobre as empresas mostram que corporações que mesclam homens e mulheres em suas esferas de comando são mais ágeis nas reações e mais flexíveis nos momentos críticos.

Também não faltam exemplos para mostrar que as comunidades – cidades, estados, países – com maior mistura entre nativos e migrantes são mais prósperas. Os Estados Unidos, os donos da KKK, revelam o que o Klan não gostaria de evidenciar: o sucesso do país passa em boa medida pelas origens tão díspares de seus habitantes.