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Mesmo com Lava Jato, velha política predomina


Pleno do STF: decisão sobre caixa 2 foi considerada uma grande derrota para a Java Jato, que completa 5 anos hoje  (FOTO: STF/Divulgação)

 

Na semana que passou, a Lava Jato sofreu uma dura derrota – a mais expressiva em seus cinco anos de atividade, completados hoje: viu o Supremo Tribunal Federal decidir, em votação apertada, que os crimes de caixa 2 mesmo associados a outros delitos, podem ser julgados pela Justiça Eleitoral. O entendimento da Java Jato é que o caixa 2 é só a ponto de um enorme iceberg chamado corrupção, e que se alimenta da troca do apoio na campanha com as “ajudas” no mandato do eleito.

Ao relegar à condição de simples delito eleitoral, o STF dá a possibilidade de punições mais brandas, onde se esfuma a perspectiva de prisão do envolvido. Os políticos (e não só os “das antigas”) comemoraram.

Esse severo golpe contra a operação ganha contornos mais nítidos com os dados revelados neste final de semana por pesquisadores da Fundação Getúlio Vargas: a realidade de que as traquinagens nas licitações – caminho para a corrupção – não mudou em quase nada após a Lava Jato. “Posso garantir que, para a imensa maioria das licitações, nada mudou”, declarou a O Globo o pesquisador Carlos Ari Sundfeld, da FGV.

Dito de outra forma: a nova política, que era esperada depois de tanta falcatrua revelada, segue firme e forte. E dando as cartas, sobretudo nos estados e municípios.

Os estudiosos mostram que a Lava Jato conseguiu produzir resultados importantes com a Lei das Estatais, apontada como avanço significativo no combate à corrupção. É um reflexo direto do “Petrolão”, o esquema que sugou dezenas de bilhões de Reais da Petrobrás, que é o centro das revelações da Lava Jato. Mas, fora das estatais, a realidade é quase a mesma de sempre.

Na linguagem popular: segue a prática das licitações com cartas marcadas e troca de favores entre políticos e empresas prestadoras de serviços ao Estado. Ou seja: a velha política é a dona do pedaço. Exatamente como denuncia a Lava Jato há cinco anos.
 

Renovação é de faz-de-conta

Em reportagem especial do final e Semana, o jornal O Globo mostra a presença dos chamados políticos profissionais nas Assembleias Legislativas, Brasil afora. Os piauienses não estranham essa realidade. Aqui a renovação é pequena, e quando acontece é por herdeiros ou políticos de larga trajetória. Entre os "novatos", temos ex-prefeitos de dois mandatos (Francisco Costa), filho de prefeito (Oliveira Neto) ou primeira-dama de quarto mandato (Lucy Silveira). Confira:

• 9 mandatos: Fernando Monteiro e Themístocles Filho.
• 8 mandatos: Wilson Brandão.
• 5 mandatos: Hélio Isaias, João Madison e Nerinho.
• 4 mandatos: Fábio Novo, Flora Izabel, Gustavo Neiva e Marden Menezes.
• 3 mandatos: Evaldo Gomes e Flávio Nogueira Junior.
• 2 mandatos: Dr. Hélio, Fábio Xavier, Firmino Paulo, Georgiano Neto, Janaína Marques, Júlio Arcoverde, Limma, Pablo Santos,
   Pastor Gessivaldo, Severo Eulálio e Zé Santana.
• 1 mandato: Cel. Carlos Augusto, Dr. Francisco Costa, Franzé Silva, Henrique Pires, Lucy Silveira, Oliveira Neto e Teresa Brito.