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Empresário cobra foco do governo para aprovar reforma


Octavio Lazari: presidente do Bradesco cobra mais foco do governo para aprovar reforma da Previdência ainda este semestre

 

Há muita coisa em jogo em torno da proposta de reforma da Previdência. Isso faz crescer a pressão em diversas áreas. Por exemplo, de governadores sobre as bancadas federais de seus estados. Mas o chamado mercado – termo para identificar o segmento do grande empresariado – começa a perde a paciência. Essa impaciência se materializa não apenas nas oscilações da Bolsa ou na cotação do dólar. Ela ganha vida através do presidente de uma das maiores empresa do país, o Bradesco.

Octávio Lazari, presidente do banco, considera a reforma da Previdência crucial para o país. E pede foco do governo em geral e do presidente Jair Bolsonaro, em particular, para que a reforma seja aprovada. Em entrevista à Folha de S. Paulo, ele diz que é preciso “ter cuidado com as coisas que a gente coloca na rede social”. E coloca prazo para que a proposta seja apreciada pelo Congresso: até o fim deste semestre.

“Se isso não acontecer o mercado pode começar a questionar o quanto o governo conseguirá implantar da reforma. Em isso acontecendo, pode ter desdobramentos muito prejudiciais à economia brasileira”, afirma.

A curta paciência dos investidores não é bom sinal. Isso porque as andanças no Congresso não dão sinais de que a reforma esteja toda aprovada até o final do semestre. A expectativa é que a matéria seja apreciada na CCJ da Câmara dos Deputados até o final de abril, em seguida passando a uma comissão especial a ser criada. Somente depois disso é que irá para duas votações no plenário.

As projeções apontam, de forma otimista, para a votação no mês de junho – ou seja, praticamente o final do período legislativo que se estende até o recesso em meados de julho. Isso quer dizer que a matéria deve ser votada no Senado depois de agosto. Se o humor do mercado depende desse cronograma definido pelo presidente do Bradesco, teremos mal humor pela frente.
 

Governo define reforma para militares

Se o empresariado mostra impaciência, os congressistas mostram ansiedade. Mas há dois blocos de congressistas: um, formado pelos que querem saber qual a contrapartida que terão pelo apoio à reforma; outro, com os que pedem uma definição mais clara e ampla sobre a proposta, inclusive no que diz respeito aos militares.

O governo promete para esta quarta-feira o detalhamento das mudanças em relação aos militares. O presidente Jair Bolsonaro já disse (através do Twitter, naturalmente) que haverá mudanças e que “possíveis benefícios ou sacríficios, serão divididos entre todos, sem distinção de postos ou graduações”. O provável é que os militares passem a ter tempo mínimo de contribuição de 35 anos, contra os 30 atuais.

Os congressistas esperam essa definição, para não se passar a ideia de que há setores privilegiados.