Cidadeverde.com

Flávio Nogueira deve ‘dar adeus’ a indicação de cargo no INSS


Flávio Nogueira: PDT fechar questão sobre reforma da Previdência e afasta deputado dos cargos federais no Piauí  (FOTO: Câmara / Divulgação)

 

O PDT decidiu ontem fechar questão e vai votar contra a reforma da Previdência. A decisão reforça a posição do partido de Ciro Gomes como oposição cerrada ao governo de Jair Bolsonaro (PSL). A decisão deve ter efeito não apenas sobre as articulações em torno da reforma, mas no bloco que o governo pretendia formar com apoios diversos, espalhados pelas siglas. No Piauí, a primeira vítima deve ser o deputado Flávio Nogueira.

Mesmo filiado ao PDT, Flávio Nogueira vinha se colocando próximo à base de apoio do governo Bolsonaro. Ele participou da reunião da Bancada Federal do Piauí no Congresso, quando se discutiu a indicação dos ocupantes de cargos da União no Estado. No encontro, o pedetista chegou a apontar sua preferência, para o qual já tinha até nome: o comando do INSS no Piauí.

A definição das indicações era esperada pelos representantes do Piauí para a semana passada, com o entendimento de que o governo cobraria contrapartida com o apoio à reforma da Previdência. As indicações foram adiadas em razão de viagem do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzone, interlocutor com a bancada. No caso de Flávio Nogueira, a espera deve ter acabado ontem, diante da decisão do PDT de fechar questão. Com isso, o partido determina uma posição comum para os todos os integrantes de sua bancada no Congresso: votar contra a reforma.

Infiéis serão punidos
Para não deixar dúvidas sobre a decisão do PDT, a vice-presidente nacional do partido, Miguelina Vecchio, defendeu ontem que os parlamentares que votarem a favor da reforma da Previdência sofram duras punições internas. Ela tem até ideia do que pode ser: Miguelina sugeriu que os infiéis não devem ser beneficiários, por exemplo, com recursos do fundo partidário. "Temos que cortar na carne. Aqui, o que segue orientação do partido deve ter um tratamento e o que não o faz deve ter outro", disse.
 

Falta voto para aprovar reforma, diz Maia

O grau de apoio á reforma da Previdência preocupa aquele que vem se convertendo em sua principal fonte de apoio no Congresso – o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Ontem, Maia reconheceu que o governo não conta ainda com 320 votos para pensar em colocar a proposta em votação. Para aprovar, a proposta precisa ter 308 votos, mas Rodrigo Maia entende que deve haver uma margem de segurança, daí seu número mágico é o 320.

Maia vinha defendendo o nome de Mauro Benevides Filho, do PDT e ligado a Ciro Gomes, para presidir a comissão especial da reforma. Era uma estratégia para atrair votos na oposição. O fechamento de questão por parte do PDT funciona como um banho de água fria. É, assim, mais uma fonte de preocupação sobre o futuro da reforma da Previdência.