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Prisão de Temer pode ser entrave na votação de reformas


Michel Temer e Moreira Franco: a prisão dos dois provoca reflexos no ânimo do Congresso Nacional  (FOTO: Planalto / Divulgação)

 

As dificuldades que o governo enfrenta para dar curso à tramitação da reforma da Previdência e do projeto Anticrime podem ganhar mais solidez a partir de hoje, em razão do episódio da prisão do ex-presidente Michel Temer e do ex-ministro Moreira Franco. A prisão foi, de modo algo generalizado, aplaudida por boa parte do governo de Jair Bolsonaro. O tom no Congresso, no entanto, é distinto. Boa parte da Casa torceu o nariz, inclusive porque muitos congressistas se enxergam como alvos possíveis da Lava Jato.

Essa diferença de perspectiva pode colocar um pouco mais de dificuldade na tramitação – de resto, já cheia de senões – das matérias de interesse do Planalto. O projeto Anticrime, desenhado pelo ministro Sérgio Moro, parece ser o mais prejudicado. O texto endurece no trato com o crime de corrupção e em relação às organizações criminosas. Isso gera temores em boa fatia do Congresso, no que diz respeito aos crimes de colarinho branco.

A situação torna-se ainda pior no caso de uma parte do projeto que diz respeito muito particularmente ao mundo político: a criminalização do caixa 2. A reação é tão grande que ganhou um tratamento à parte – quase como se estivesse ali, de lado, precisamente para ser rejeitado. A prisão de Temer & Cia, no entanto, amplia o desconforto de congressistas em relação à matéria.

O principal opositor do projeto de Moro é, claramente, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que ironicamente vem a ser genro de Moreira Franco. Ele simplesmente tirou a proposta da pauta e não deve fazer muito esforço para vê-la na ordem do dia do Legislativo.

Toda essa animosidade pode trazer alguns entraves, também, para a votação da reforma da Previdência. O governo não se encontra nas articulações legislativas e ainda vê a perda de força popular das teses que abraça. Todo esse clima pode levar ao afastamento dos parlamentares da proposta de difícil apelo popular.

Quer dizer: o apoio pode até surgir. Mas também pode custar caro ao governo.
 

‘Previdência’ tem oposição no próprio quintal

Uma das mais duras cobranças relacionadas à proposta de reforma da Previdência dos militares surgiu de onde o governo Bolsonaro menos esperava: do próprio líder do PSL na Câmara, deputado Delegado Waldir (GO). Ele exigiu que o ministro da Economia, Paulo Guedes, vá ao Congresso explicar as reformas.

Segundo o deputado, a proposta de reforma dos militares foi “um abacaxi” que o governo criou. Se é assim, “tem que trazer a faca para ajudar a descascar” – disse. Delegado Waldir destaca que o projeto dá uma ideia de que há privilégio para os militares, e cobra que haja uma explicação consistente da equipe econômica a respeito.

É como se diz: quem tem amigo como esse, quem precisa de inimigo?