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Rio de Janeiro, o caos feito na politicagem e corrupção


Wellington Moreira Franco: o quinto ex-governador do Rio de Janeiro a ser preso nos últimos tempos  (FOTO: Planalto / Divulgação)

 

Na quinta-feira passada, o Rio de Janeiro viveu dois momentos únicos, ainda sem registro na história do estado. Foi o dia em que o ex-governador Moreira Franco acabou entre as grades, fazendo que todos os ex-governadores vivos do Rio estejam ou tenham estado presos em algum momento. Também foi o dia que, pela primeira vez, o livro de posse na Assembleia Legislativa saiu da Casa para empossar cinco deputados. O destino do livro: a cadeia, onde estão quatro desses deputados.

As duas cenas registradas na quinta-feira mostram algo de extraordinário. Mas, em termos de Rio de Janeiro, não surpreendem. O estado, que é a principal cara turística do Brasil no exterior, é hoje também a face mais viva da promiscuidade na relação entre o público e o privado, na esteira da politicagem e da corrupção. É como se a bandalheira fosse a regra, envolvendo os mais diversos segmentos. Um exemplo: ano passado a PM do Rio expulsou mais de 1.300 policiais por má conduta.

Copa, Olimpíadas, metrô, BRT, construção de hospital, coleta de lixo, ônibus, milícia, investigação policial... Os escândalos sucessivos mostram que praticamente nada era levado adiante no Rio de Janeiro sem um acerto anterior, definido na forma de propinas. A corrupção tornou-se a regra. Outra regra: nada funciona bem no estado, do trânsito às escolas; da polícia aos postos de saúde.
 

O caso dos deputados presos

Foi, para dizer o mínimo, um vexame: a mesa diretora da Assembleia do Rio foi até o Complexo Penitenciário de Bangu. Levou o livro de posse debaixo do braço para investir no cargo quatro deputados – todos na cadeia desde novembro, acusados de participarem de esquema de corrupção no qual aprovavam leis em troca de benefícios. São eles: André Corrêa (DEM), Luiz Martins (PDT), Marcus Abraão (Avante) e Marcus Vinícius Neskau (PTB). Em seguida, com o livro de posse em mãos, os dirigentes da Assembleia foram para a casa de Chiquinho da Mangueira (PSC), que cumpre prisão domiciliar pelo mesmo escândalo. Lá deram posse ao parlamentar.

Claro, o gesto gerou reação. Outros parlamentares pretendem recorrer contra a posse dos deputados-presidiários. Também o Ministério Público avalia a possibilidade de contestar a posse dos "meliantes".
 

Os ex-governadores atrás das grades

A prisão de ex-governadores é tradução da aliança entre politicagem e corrupção, uma reafirmando a outra. O resultado foi muita roubalheira durante décadas, acabando mais recentemente na prisão e condenação de diversas autoridades do Estado. Diversos empresários foram presos, o TCE quase todo acabou na cadeia e a lista de políticos inclui as principais “estrelas” como Eduardo Cunha e Sérgio Cabral.

Dos ex-governadores eleitos pelo povo do Rio que estão vivos, estão presos Sérgio Cabral (que já está condenado a mais de 100 anos), Pezão e Moreira Franco. Já estiveram entre as grades Antony Garotinho e Rosinha Matheus.  Só escapam Nilo Batista (vice que se tornou governador tampão com a renúncia de Brizola) e Benedita da Silva (também vice, que assumiu governo tampão com a renúncia de Garotinho).

Quanto aos deputados, ainda há um sexto, eleito em outubro, que também está preso e deverá receber o livro de possa no “aconchego” da cela.