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Clima política esquenta, assusta e empresários temem por reforma

Foto Divulgação / Palácio do Planalto

Jair Bolsonaro: novas críticas a Rodrigo Maia esquentam o clima político em torno da reforma da previdência

 

Quando tudo parecia se encaminhar para a paz entre o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), as trocas de acusações voltaram e o clima ferveu outra vez. Resultado: o dólar subiu, a bolsa despencou e explodiram as dúvidas sobre o governo, a reforma da previdência e o futuro do país. O clima é perplexidade e quase desespero especialmente entre o empresariado.

O clima azedou outra vez com a entrevista de Jair Bolsonaro à TV Bandeirantes, ontem. Lá, ele disse que não entendia o que acontecia com Rodrigo, e avaliou que o humor do deputado estaria abalado em razão de problemas pessoais. Essa foi uma insinuação à prisão de Moreira Franco, sogro de Rodrigo. O deputado reagiu dizendo que Bolsonaro brinca de ser presidente e que abalado está o povo, pela falta de comando no país.

Os duros ataques de mão dupla só pioram o clima em torno da proposta de reforma, colocando em lados opostos os dois principais avalistas da emenda à constituição. Daí, o calor político esfria as expectativas do empresariado, absolutamente inseguros quanto ao que estar por vir. Os investidores do mundo real já temem que a reforma não seja votada ou que saia do Congresso um arremedo de reforma.

Na avaliação dos empresários, esse caminho abre uma porta para uma nova recessão, isso depois de um período recessivo que praticamente não terminou. O próprio vice-presidente, Hamilton Mourão, ouviou lamentos desse tipo dentro da própria FIESP, onde esteve. Os industriais reclamaram da falta de habilidade do presidente. Deixaram claro que há uma sensação de que o governo perdeu a mão com o Congresso, o que ficaria traduzido na aprovação da PEC sobre o orçamento.

A expectativa dos empresários é que o presidente mostre mais maleabilidade e disposição para conversar. Sem isso, o horizonte não é muito claro.

Mercado mostra desconforto

As desconfianças do mercado sobre os rumos da reforma da previdência ficaram evidentes nos termômetros clássicos: a cotação do dólar e a movimentação da Bolsa. Pois a bolsa despencou ontem: o Ibovespa, principal indicador da B3, caiu 3,57%. O volume de negócios ficou em 91.903 pontos, o menor patamar desde a primeira semana de janeiro. O balanço do mês caminha para fechar no vermelho: até agora acumula queda de 3,85%, embora ainda contabilize desempenho positivo no ano.

O dólar mostrou o mesmo mau humor: ele subiu, como demonstração de insegurança do investidor que vai buscar garantias na moeda americana. A variação negativa, ontem, foi de 2,27%. A cotação fechou em R$ 3,954 por dólar, o maior valor dos últimos seis meses.