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De olho em 2022, Firmino tenta ‘reconquistar’ o PSDB

Foto Arquivo / Cidade Verde

Firmino Filho e Luciano Nunes: depois das diferenças na eleição de 2018, de novo andando juntos pelo interior
 

O prefeito Firmino Filho vem tentando uma reaproximação com o PSDB, partido ao qual é filiado mas com quem mantém sérias diferenças há mais de dois anos. O “olhar para dentro de casa” tem a ver com 2022 e vai em um sentido bem diverso da estratégia de 2017 e 2018, quando o prefeito tentou se viabilizar candidato ao governo do estado nas asas do PP do senador Ciro Nogueira. Não deu certo.

Firmino achava ser possível disputar o governo do estado em 2018, em uma ampla aliança articulada por Ciro Nogueira. Depositou todas as esperanças no senador. Foi pensando nisso que no início de 2017 colocou a própria mulher, Lucy Silveira, nas filas do partido de Ciro. O que aconteceu todo mundo sabe: o presidente do PP não arredou pé da aliança com Wellington Dias, Firmino não saiu candidato e ainda teve que carregar a pecha de traidor do próprio partido, já que não teria dado o suporte esperado a Luciano Nunes, o candidato tucano.

Não foi fácil para o prefeito. Ele tinha um leque de candidatos que estavam mesmo no palanque de Wellington, a começa por Lucy e Ciro, ela candidata a deputada estadual e ele, ao Senado. Também, para deputado federal, apoiava preferencialmente a candidatura de Margarete Coelho, outro nome do PP e aliada de Wellington. Ficava difícil meter nesse bolo a candidatura oposicionista de Luciano Nunes.

Depois da eleição, Firmino viu o afastamento que impôs aos colegas tucanos “ser correspondido”: Luciano Nunes também deu sinais de afastamento, bem como nomes do interior, como o prefeito de Bom Jesus, Marcos Elvas. Isso sem falar em Marden Menezes, afastado há muito mais tempo. Agora Firmino quer uma outra estratégia, e começa pela ideia de ter um partido para chamar de seu.

Em 2018, o PP era (e continua sendo) o partido de Ciro Nogueira. Se quiser chegar por lá, o prefeito chega como soldado. Não é um bom caminho para quem ainda sonha com o Karnak. Daí, voltou a se aproximar dos tucanos – a exceção de Marden. Firmino já anda no interior com Luciano Nunes e tem ligado para lideranças municipais espalhadas pelo Piauí. Isso também aponta para a mudança em outra estratégia clássica (e infrutífera) do PSDB, que sempre deu de ombros para o interior.

Firmino entendeu que ter um bom grupo em torno de si é o primeiro caminho para tornar-se uma carta a ser levada em conta no jogo eleitoral. E esse grupo é o seu PSDB.
 

Eleição de 2022 passa pela de 2020

Para chegar forte em 2022, Firmino Filho quer ter um partido forte. E essa fortaleza passa pelas eleições municipais de 2020, especialmente a de Teresina. O prefeito começa a se mexer no esforço de eleger seu próprio sucessor. E se as duas coisas andam juntas, é razoável que o candidato seja um nome próximo do prefeito, talvez mesmo com ficha de filiação no PSDB.

Se esse raciocínio prevalecer, perde força a especulação que coloca um nome do PP como o candidato de Firmino. No PP todo mundo é Ciro. Pode até não ser do PSDB, mas será alguém muito próximo de Firmino. Daí, crescem as especulações que apontam para o presidente da Fundação Municipal de Saúde, Charles Silveira. Charles vem fazendo um trabalho muito elogiado dentro da prefeitura e entre vereadores.

Tal desempenho e a proximidade com o prefeito podem ser uma credencial e tanto para 2020. E uma eventual eleição de Charles é um belo reforço para Firmino.