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Déficit da previdência deixa estados no sufoco: só 4 no azul

Foto Divulgação / FIRJAN

Evento na Firjan em defesa das reformas: preocupação com o déficit da previdência, que afeta 23 dos 27 estados brasileiros

 

A reforma da previdência, encaminhada ao Congresso pelo governo Jair Bolsonaro, está longe de ser uma necessidade apenas da União. Segundo levantamento realizado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, o déficit é a regra entre os estados. Segundo a FIRJAN, apenas 4 estados não têm déficit, e por um motivo bem claro: são aqueles estados mais jovens, criados após a Constituinte, o que explica o baixo número de aposentados.

Esses estados são Amapá, Rondônia, Roraima e Tocantins. Todos os demais estão com a corda no pescoço com déficit anual que pode chegar até a R$ 18 bilhões, como é o caso de São Paulo. Em seguida vem Rio Grande do Sul (R$ 11,1 bi) e Rio de Janeiro (R$ 10 bi). O Piauí, conforme a FIRJAN, contabiliza um déficit de R$ 900 milhões.

O levantamento expõe situações que reforçam privilégios enraizados. A realidade geral aponta remuneração média entre os aposentados superior aos trabalhadores da ativa – o que é considerado atípico para a sustentabilidade do sistema previdenciário. São 14 estados nessa situação. A maior remuneração encontrada é no Distrito Federal, onde os aposentados ganham em média R$ 8.800 contra R$ 7.200 dos servidores da ativa. O Piauí fica em 24º lugar nesse quesito, com aposentados ganhando em média R$ 3.300 e os servidores da ativa, R$ 3.700.

Na avaliação da FIRJAN, os dados mostram que todos – União e estados – estão no mesmo barco. E lembra que o desequilíbrio das contas da previdência tem reflexos em toda a economia. “Se não aprovar a reforma, é toda a sociedade pagando [para cobrir o déficit] através do aumento de preços de produtos e serviços em decorrência do aumento de impostos", afirmou Jonathas Goulart, o gerente de estudos econômicos da Firjan.
 

Economia nos estados pode chegar a R$ 329,5 bi

Um outro estudo, este do ministério da Economia, aponta qual deve ser o impacto da reforma da Previdência nas contas dos estados. Se for aprovada como apresentada originalmente, a reforma deve gerar uma economia de R$ 329,5 bilhões para os estados em dez anos.

Segundo projeções do estudo, a maior parte dessa economia virá das mudanças nas regras para servidores públicos: R$ 277,4 bilhões. Os outros R$ 52,1 bilhões de economia seriam decorrentes das alterações nas regras para policiais militares e bombeiros. Vale lembrar, se o texto for aprovado como enviado, a idade mínima para aposentadoria será de 62 anos para mulheres e 65 anos para homens. A proposta define ainda a exigência de 25 anos de contribuição.