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A economia não vê horizonte: PIB abaixo de 2%

Foto Divulgação / CNI
Indústria: perda de competitividade é parte do resultado tímido da economiam brasileira dos últimos anos 
 

Há três anos o Brasil espera a recuperação econômica, após sofrer a mais brutal recessão em pelo menos 80 anos de história. Mas a economia teima em não mostrar o vigor esperado e corremos o risco de ter em 2019 um desempenho longe do desejado, ainda que positivo. Os sinais estão postos, incluindo a tímida reação da indústria e o índice negativo para o PIB preliminar para o mês de fevereiro.

Vale lembrar, a economia brasileira colhe os frutos da falta de planejamento de longo prazo, após um período em que se apostou muito no consumo sem olhar a produção e a produtividade, sobretudo no que diz respeito aos desafios futuros. Quando a crise de 2008 chegou, desdenhou-se e a situação foi rotulada de “uma marolinha”. Não foi. Foi quase um tsunami, agravado pela falta de providência do governo. O resultado: do final de 2014 ao final de 2016, sofremos horrores. O desemprego alcançou quase 14 milhões de brasileiros.

O país acumulou perdas extraordinárias especialmente em 2015 e 2016, dois anos seguidos de tombos no PIB. E tivemos em 2017 e 2018 desempenho ridículo, com elevação do PIB ao redor de 1%. Para 2019, as projeções iniciais apontavam para crescimento entre 2,5% e 3%. Os cálculos já foram revistos e hoje as projeções apontam para 1,95%. Outra vez abaixo dos 2%. Para 2020, as expectativas são de um PIB crescendo 2,5%.

Os números de antes, de hoje e do futuro não são os desejados. Especialmente incômodos são os números de hoje, com o PIB de fevereiro caindo 0,73%, o pior desempenho desde a greve dos caminhoneiros. São ruins especialmente pela quebra de expectativas e a projeção de tempos ainda duros.

Depois de dois anos de uma recuperação que não veio, 2019 alimentava esperanças maiores, sobretudo pelo fato de coincidir com o início de um novo governo. Mas ainda não aconteceu a recuperação desejada. Medidas cruciais – como a aprovação de reformas – andam em câmera lenta e investimentos em infraestrutura ainda estão por conta da iniciativa privada, particularmente através dos leilões do governo.

Não vem sendo suficiente.

Para completar, dados apontam a indústria brasileira como uma das duas menos competitivas entre um grupo de países estudados pela OCDE. Só ganhamos da combalida Argentina. Tudo isso porque não apostamos em buscar mais competitividade. Na prática, quer dizer que nossa indústria vai mal hoje e tende a permanecer assim por mais algum tempo, até que os investimentos no setor voltem e resgatem a capacidade competitiva.

Tal mudança, no entanto, cobra um tempo medido em anos.