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Recessão deixa marcas no IDH, que sobe menos

A recessão brutal que o Brasil viveu por mais de dois anos, a partir do final de 2014, deixou e ainda deixa sequelas sérias. O impacto da crise ficou visível no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), divulgado ontem pelo IPEA e PNUD. Dos três fatores que compõe o índice, há evolução em dois (longevidade e educação) e queda no terceiro (renda). Diante disso, o Brasil não alcança o objetivo de registrar um IDH “muito alto”.

O IDH varia de 0 a 1 – quanto mais próximo de 1, maior o desenvolvimento humano. O índice é considerado muito alto a partir do patamar de 0,800. O resultado divulgado ontem se refere aos anos de 2016 e 2017. Portanto, inclui o pior ano da recessão, que foi 2016. O IDHM médio foi levemente superior à medição anterior: subiu dois milésimos, passando de 0,776 a 0,778. É onde a diminuição de renda passa fatura.

No indicador de longevidade, passamos de 0,845 para 0,850 – índice considerado “muito alto”.  No quesito educação, seguimos na casa de 0,7: passamos do 0,739 (biênio 2014-2015) para 0,742 – e permanece como o pior dos três fatores analisados. Já na avaliação da renda houve involução de 0,748 para 0,747, resultado direto da recessão que se instalou depois de 2014.

Na avalia do IPEA, a pesquisa mostra uma estabilidade do IDHM. Mas alguns indicadores seguem preocupando. Por exemplo: mesmo com a redução da distância, ainda é significativa a diferença entre negros e brancos, mulheres e homens.

Foto Divulgação / Governo Federal
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Recuperação de Rodovias Federais: esforço para tentar dar novo ritmo à economia brasileira
 

Retomada da economia ainda é desafio

A recuperação da economia ainda é um desafio para o Brasil, que há cinco anos amarga resultados tímidos ou puramente negativos. Em fevereiro, houve queda na projeção do PIB (-0,73%). Ontem, o governo deu algum sinal de atenção com um setor considerado crucial para a economia: a infraestrutura.

Foi anunciado investimento de R$ 2 bilhões na recuperação de estradas. O governo apresenta esse investimento como um primeiro passo nos gastos públicos com infraestrutura. Que seja: o Brasil carece de muito mais para redefinir o ritmo. De qualquer forma, investir em infraestrutura é um bom recado para a construção civil, um dos segmentos que mais sofreu com a recessão e fundamental para a abertura de vagas de trabalho.