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Olavo de Carvalho, o ‘filósofo’ que não pensa: reage

Foto Divulgação / olavodecarvalho.org
Olavo de Carvalho: o guru de boa parte do governo Bolsonaro e da Nova Direita brasileira
 

Considerado por muitos o guru do governo Bolsonaro, o “filósofo” Olavo de Carvalho vai revelando uma caraterística: ele não pensa; reage. E essa característica vem colocando muita lenha na fogueira de um governo que não conseguiu ainda tranquilidade para levar adiante a gestão. Se pensasse, Olavo bem que guardaria a língua por algum tempo, pelo bem do Brasil.

A parte mais vistosa da interferência do guru foi no Ministério da Educação: no MEC ele emplacou um dos seus dois seguidores mais fiéis, o já ex-ministro Carlos Velez Rodriguez – o outro seguidor ferrenho é o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Na Educação, Olavo botou, tirou e tornou a botar assessores. Funcionava o fígado, não o cérebro. E deu no que deu: o MEC parou, o ministro fez lambanças atrás de lambanças e Bolsonaro mudou o titular da pasta.

O “filósofo” agora abriu uma nova frente, com ataques públicos. O alvo é ninguém menos que o vice-presidente Hamilton Mourão. Como não raciocina e simplesmente reage, passou para o ataque só e somente só porque Mourão não comunga de muitas das ideias de Olavo de Carvalho. Para se ter uma noção de onde pode chegar, agora está estimulando o Pastor Feliciano – outro que capricha nas polêmicas – a seguir nas críticas ao vice-presidente e até a pedir o impeachment de Mourão. Olavo não disse o motivo, mas pediu.

Talvez Mourão cometa o pecado de pensar. E pensar diferente do “filósofo”.
 

O ‘filósofo’ que já foi astrólogo
Muitos no governo o chamam de guru ou ideólogo. Ele mesmo, prefere se apresentar como filósofo, ou pensador. Mas Olavo de Carvalho também é chamado de influenciador digital, já que seu canal no Youtube faz um sucesso danado. Para completar tem outras identidades no passado, como professor e também astrólogo. Antes de seguir para os Estados Unidos – de onde envia suas tiradas –, Olavo teve um curso de astrologia, com direito a tenda de atendimento.

Tem coisa mais desconcertante: na juventude ele foi militante comunista. Dá pra acreditar? Pois a Wikipedia – aquela enciclopédia aberta que todo mundo acessa na internet – informa que ele chegou a ser filiado ao PCB na década de 60, com direito a oposição ao... regime militar. Mas (como sabemos bem), logo se tornaria anticomunista convicto.

Independente de rótulos, é apontado como uma das vozes de mais ressonância na chamada “Nova Direita” brasileira. É autor de vários livros, entre eles A Imagem do Homem na Astrologia, de 1980. Mas sucesso mesmo é seu livro O Mínimo que Você Precisa Saber para não Ser um Idiota, de 2013: é esse que, após vender mais de 300 mil volumes, inspira a direita brasileira.