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Previdência: governo já prepara batalha pós-CCJ

Foto Divulgação / Câmara dos Deputados
Reforma da Previdência: governo já se prepara para embates muito mais duros após a aprovação do relatório na CCJ
 

Vai ter muito discurso. Muita troca de farpas. E selfies aos montes. Mas a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara deve aprovar hoje o relatório que dá admissibilidade à tramitação da reforma da Previdência. A expectativa é que a votação seja favorável “até com certa folga”, conforme o presidente da CCJ, deputado Felipe Francischini (PSL-PR). Mas a folga deve acabar aí: o embate para valer começa na próxima semana, quando a matéria passa a ser discutida em uma Comissão Especial criada com esse objetivo específico.

Para ter êxito com a proposta de reforma, o governo aposta alto nos de sempre: o Centrão, onde se instalam partidos conservadores que se deixam guiar mais pelas ofertas do Poder que propriamente por suas convicções em relação a temas como a própria reforma. Em tese, o grupo (que inclui partidos como PP, PSD, DEM, PR, PRB, SD e PTB) não tem muito a reparar na reforma. Mas tem um caminhão de reclamação quanto à relação com o governo: não quer só votar; quer participar do governo, e em postos de referência.

O governo fez movimentos indicando que cedeu. Começou a ceder por pequenas mudanças – de caráter quase cosméticos – no texto da proposta. E dá indicações de ceder no político, tanto na indicação para cargos federais nos estados e como também em postos chaves na Esplanada. Tudo isso para que a reforma saia do lugar.

O obstáculo da CCJ não parece ser o mais complicado. Longe disso. Levantamento sobre o nível de apoio parlamentar à reforma está bem distante de ser o necessário para aprovação no plenário da Câmara: o governo conta com duas centenas de apoios declarados, mas precisa de 308 votos a favor. Pode ser que a aproximação do Centrão altere o placar. Mas até lá, os articuladores do governo ainda vão ter que gastar muito latim.
 

63% dos que apóiam reforma têm ressalvas

O jornal O Estado de S. Paulo tem o placar da reforma: em levantamento sistemático, diz quem apóia e quem não apóia a proposta do governo. Há muita gente calada: dos 411 deputados contatados pelo jornal, 101 preferiam não dizer se apóiam ou deixam de apoiar a reforma. Em geral, são deputados que devem anunciar apoio (ou posição contrária) dependendo do agrado.

Dos outros 310 que revelaram uma posição, 118 são contrários à reforma e 192 a favor. Mas desses que se manifestam a favor, 121 ( ou 63% do grupo) têm ressalvas. Os números dão uma ideia do tamanho do problema que o governo tem pela frente. Vai ter que arranjar métodos de encantamento político, assim como argumentos técnicos para atrair o apoio necessário.

Vale lembrar, o governo precisará de 308 votos a favor em plenário, em duas votações seguidas. Não é pouco.