Cidadeverde.com

Jogo político esvazia e tira poder da Chesf do Piauí

Foto: Cidade Verde

Gerência da CHESF no Piauí: perda de poder com a interferência política distante do Estado
 

O joguete político tem implicado em sérias perdas para a gerência da CHESF no Piauí, o que pode desaguar no definitivo e oficial “rebaixamento” anunciado pela direção nacional da empresa, com a unidade do Piauí perdendo poder gerencial. O pouco caso à unidade piauiense da Companhia Hidrelétrica do São Francisco choca com o papel estratégico que a gerência regional tem.

A gerência da CHESF no Piauí existe há 44 anos. E tem atribuições importantes, incluindo o monitoramento da hidrologia de Boa esperança e o rigoroso controle operacional do sistema, sobretudo tendo em conta que por aqui passam linhões fundamentais para outros estados do Nordeste. Esse papel estratégico ficou evidente no grande apagão de 2012, quando o Piauí foi o primeiro estado a retomar a normalidade e determinante para que os demais estados do Nordeste voltassem a ter energia.

Curiosamente, o estado do Ceará – que, segundo a direção da CHESF, deve passar a controlar a unidade do Piauí – foi o último a normalizar o fornecimento de energia. Tal situação levou a ANEEL, na época, a tecer rasgados elogios à unidade piauiense. Um reconhecimento da importância quer agora é negada.

Dentro da CHESF, o clima entre servidores é de muito desconforto, sobretudo porque a perda de importância da unidade piauiense vem se materializando há alguns anos. Para se ter uma ideia, está totalmente paralisada a obra de um prédio dentro da estrutura da companhia aqui em Teresina. Com um detalhe desconcertante: a obra, iniciada em 2014, consumiu cerca de R$ 1,5 milhão. Esse valor corresponde a apenas 1% dos R$ 154 milhões que a mesma CHESF investe na estrutura da unidade de Petrolina, em Pernambuco.
 

Controle político prejudica companhia

O esvaziamento da CHESF no Piauí é associado ao controle político, em especial do grupo liderado pelo senador pernambucano Fernando Bezerra (MDB). Desde então, a companhia definha no Piauí. Isso também explicaria, por exemplo, o alto investimento em Petrolina, sem atenção aos interesses do Piauí. A crença é que, ao perder autonomia, a unidade piauiense ficará ainda mais desprestigiada, deixando em segundo plano os interesses do estado, que cobra investimentos urgentes no setor.

No mês passado, o senador Elmano Ferrer (Podemos) cobrou do ministro das Minas e Energias, Bento Albuquerque, a revisão da decisão de tirar autonomia da CHESF no Piauí. O ministro disse que a medida poderia ser revista, sim. Mas até agora a revisão não aconteceu e segue em vigor a orientação de vincular a unidade piauiense ao Ceará.

A avaliação é que isso tira precisão no controle e monitoramento no sistema, aumentando os riscos de instabilidade no fornecimento de energia. Além disso, compromete os investimentos no estado.