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Agora começa de verdade o ‘jogo decisivo’ da Previdência

Foto Divulgação / Câmara dos Deputados
Onyx Lorenzone: ministro diz que presidente B olsonaro entra em campo para a articulação da votação da reforma
 

Em entrevista veiculada ontem, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzone, garantiu que o presidente Jair Bolsonaro vai entrar pra valer na articulação em torno da reforma da Previdência. Segundo o ministro, o presidente vai entrar na hora certa: não o fez antes porque o artilheiro do time não joga nos amistosos, e sim na partida principal. E Bolsonaro, avalia, é o artilheito do time.

A metáfora de Lorenzone tem um acerto e um erro. O erro deve estar associado ao desconhecimento de futebol: um artilheiro quer jogar sempre, os 90 minutos, seja em treino, amistoso ou decisão. O acerto é comparar a nova fase da tramitação da reforma da Previdência com o jogo principal de um campeonato. Esta fase é tão importante que, para manter a comparação com o futebol, se assemelha a uma decisão.

O que se viu até agora, na fase da CCJ, foi uma pelada: um berreiro sem fim, um interminável jogo para a platéia e uma queda de braço entre segmentos políticos, notadamente dentro da potencial base governista. Quando se fala em “potencial base” governista é para lembrar que os deputados que garantiram a folgada vitória na CCJ foram os mesmos deram corda à oposição e permitiram que a discussão sobre a constitucionalidade se alongasse tanto tempo.

O “Centrão”, casa desses deputados que definiram de fato os rumos da votação, quis deixar claro para o governo que tem a chave dos rumos da reforma: o fracasso ou sucesso depende desse grupo. E deixa mais evidente ainda que a nova fase precisa passar por ele, incluindo acordos que levem à participação em espaços do poder federal.

A força do Centrão é tão evidente que o grupo fez um jogo de cena que levou a um fato inusitado: para sair do bloco que protelava para o time que acelerou a votação na CCJ, as lideranças cobraram mudanças no texto ainda nessa primeira fase. Não é comum. Aliás, é visto como inovação. As mudanças serviram apenas como desculpa para a mudança de atitude, já que o efeito sobre as intenções do governo é praticamente nulo. Mas mudou. Porque o Centrão assim quis.

Agora começa o jogo principal, ou a partida decisiva, na fase da comissão mista que vai desenhar o texto final e o alcance da reforma. É quando todos precisam entrar em campo e mostrar seu jogo. É quando cada um diz o que tem a entregar: o governo e os aliados. Segundo Onyx Lorenzone, o próprio presidente Bolsonaro vai se empenhar nessa fase decisiva. E os articuladores do governo – como o próprio Lorenzone e o ministro da Economia, Paulo  Guedes – terão que se mostrar presentes sobretudo para que o texto original seja preservado ao máximo.

Quando ao Centrão, pretende  entregar votos, os votos suficientes para a aprovação. Mas antes de aperta o botão da votação eletrônica, seja na Comissão Mista ou no plenário, os deputados que integram o grupo vão querer a contrapartida do governo.

Disso o Centrão não abre mão.