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Economia não deslancha e endividamento cresce na classe E

Foto Divulgação / Fecomercio-PE

Economia não deslancha: cresce endividamento entre famílias brasileiras e consumo fica comprometido


O baixo desempenho da economia nos primeiros meses do ano está trazendo de volta um cenário que pode repetir o drama de 2016, com alto endividamento da população. Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio, o ano começou com 60% dos brasileiros com algum tipo de dívida. Levantamentos recentes em capitais como Belo Horizonte mostram um aumento desse percentual e mais ainda um comprometimento maior da renda das famílias da classe E com o pagamento de dívidas.

Vale notar, o endividamento chegou a níveis estratosféricos no final de 2016, após dois anos de brutal recessão. O governo Temer conseguiu reduzir uma boa fatia desse endividamento familiar a partir de ações como a liberação do saque do FGTS. Mas a expectativa de retomada da economia não se concretizou e o endividamento seguiu alto, com crescimento no final de 2018.

Ainda não se chegou ao patamar de 2015 e 2016. Mas o endividamento cresce. O principal componente que leva ao endividamento é o desemprego, que também leva à inadimplência. Essa realidade é especialmente grave no segmento popular, que vai comprometendo boa fatia de suas parcas receitas com o pagamento de dívidas.

Pesquisa agora realizada pena CDL de Belo Horizonte ressalta tal quadro: entre os consumidores da classe E que têm algum tipo de dívida, 69% destinam mais de 30% de sua renda para o pagamento de dívida. Segundo os especialistas em finanças, nenhum consumidor deve com prometer mais de 30% da renda, sob pena de entrar em uma situação de instabilidade. Pois aí está boa parte da classe E.
 

Outra o FGTS pode ser a saída

O saque do GTS inativo, que deu um fôlego à economia nos últimos dois anos do governo Temer, pode ser outra vez a saída para animar o consumidor e, quem sabe, reduzir o endividamento. O governo Jair Bolsonaro estuda a liberação desses saques, que poderia ser institucionalizada a partir de julho e durar até dezembro.

No período Temer, esse expediente assegurou recursos extras – com valores bem variádos – para quase 26 milhões de trabalhadores. A expectativa agora é que o alcance seja bem menor. Mas os economistas do governo avaliam que pode ser uma injeção na economia e uma mudança de humor do consumidor.